O avanço da inteligência artificial já apresenta reflexos no mercado de trabalho brasileiro, principalmente entre profissionais em início de carreira. Levantamento do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre) aponta que trabalhadores de 18 a 29 anos registram atualmente quase 5% menos chances de conseguir emprego em setores com maior exposição às novas tecnologias.
De acordo com o estudo, os segmentos mais impactados são os de informação, comunicação e serviços financeiros. Nessas áreas, atividades operacionais e funções de apoio, frequentemente ocupadas por jovens em busca da primeira oportunidade profissional, vêm sendo gradualmente automatizadas.
Entre as tarefas com maior risco de substituição estão organização de dados, produção de relatórios e elaboração de conteúdos básicos. Segundo os pesquisadores, trata-se de funções baseadas em rotinas padronizadas, o que facilita a execução por sistemas de inteligência artificial.
O levantamento indica que trabalhadores entre 30 e 59 anos ainda não registram efeitos relevantes no mesmo período analisado. Isso ocorre porque parte desses profissionais está concentrada em cargos ligados à análise, supervisão, tomada de decisão e responsabilidades estratégicas, áreas que seguem com menor nível de automação.
A expansão do uso dessas ferramentas ganhou intensidade a partir do final de 2022, com a popularização de sistemas generativos, e avançou ao longo de 2024 e 2025 com o lançamento de novas plataformas. O ritmo de adoção tem provocado mudanças aceleradas na organização do trabalho e nos processos de contratação.
Em outros países, os efeitos também vêm sendo observados. Nos Estados Unidos, a contratação de jovens desenvolvedores chegou a recuar até 20%, enquanto empresas europeias passaram a utilizar soluções automatizadas em tarefas anteriormente destinadas a estagiários e profissionais iniciantes.
Especialistas avaliam que a redução de vagas de entrada pode gerar impactos de longo prazo, já que experiências iniciais costumam ser parte importante da formação profissional, do aprendizado prático e do desenvolvimento de carreira.
O estudo também aponta que a baixa qualificação tecnológica de parte da mão de obra brasileira amplia os desafios. Para atuar de forma complementar à inteligência artificial, trabalhadores precisam dominar ferramentas digitais e desenvolver competências técnicas exigidas pelo novo cenário.
A tendência indicada pelos pesquisadores é de continuidade desse processo, o que reforça discussões sobre capacitação profissional, acesso à tecnologia e adaptação do mercado de trabalho às transformações em curso.
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