Uma menina de 4 anos sobreviveu após ser picada por uma cobra-coral verdadeira em Itajaí, no litoral norte de Santa Catarina. O acidente ocorreu no dia 25 de abril e mobilizou equipes médicas devido à gravidade do envenenamento e às reações alérgicas apresentadas pela criança durante o tratamento.
Segundo relatos da família, a serpente foi encontrada no terreno da residência enquanto gatos brincavam com o animal. O irmão mais velho da menina teria confundido a cobra com uma minhoca e levado o réptil para dentro de casa. Pouco tempo depois, a criança foi picada no calcanhar.
Ao identificarem que se tratava de uma cobra-coral verdadeira, os pais buscaram atendimento médico imediato. A serpente foi capturada e levada junto ao pronto atendimento, o que auxiliou na identificação do animal. Posteriormente, a confirmação da espécie foi realizada pelo Centro de Informação e Assistência Toxicológica de Santa Catarina (CIATox/SC).
Após o primeiro atendimento, a menina foi transferida para um hospital de referência, onde recebeu soro antiofídico. Durante a administração do medicamento, ela apresentou três episódios de reação anafilática, condição caracterizada por uma resposta alérgica sistêmica que pode comprometer funções respiratórias e cardiovasculares.
De acordo com informações médicas divulgadas pela família, em todas as crises foi necessária a aplicação de adrenalina e medicamentos antialérgicos para estabilizar o quadro clínico. A paciente permaneceu internada por três dias e, após a alta hospitalar, seguiu em recuperação domiciliar por aproximadamente uma semana antes de retomar as atividades habituais.
Especialistas explicam que a anafilaxia é uma das formas mais graves de reação alérgica e pode evoluir rapidamente, exigindo monitoramento constante. Em alguns casos, os sintomas podem retornar horas após uma aparente melhora, fenômeno conhecido como reação bifásica.
A cobra-coral verdadeira pertence à família Elapidae e possui veneno de ação predominantemente neurotóxica. Segundo biólogos e herpetólogos, a peçonha atua diretamente sobre o sistema nervoso e pode causar comprometimento muscular, dificuldades respiratórias e, em situações graves, parada cardiorrespiratória.
No Brasil, existem cerca de 30 espécies do gênero Micrurus, grupo ao qual pertencem as corais verdadeiras. Embora acidentes com esses animais sejam menos frequentes do que os registrados com jararacas, especialistas alertam que os casos exigem atendimento médico imediato devido ao potencial de rápida evolução para quadros graves.
A recuperação da criança foi atribuída à rapidez no encaminhamento ao serviço de saúde, à identificação da espécie envolvida e ao tratamento realizado nas primeiras horas após o acidente.
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