Paraguai se torna principal destino de brasileiros com mais de 263 mil migrantes no país.
O Paraguai consolidou-se como o principal destino de brasileiros na América do Sul, superando a marca de 263 mil imigrantes em um fenômeno classificado como "migração silenciosa". Este avanço é reflexo de uma combinação de fatores econômicos que oferecem um ambiente tributário e regulatório mais vantajoso em comparação com o Brasil.

Entre os principais atrativos que impulsionam o êxodo estão o sistema fiscal simplificado, o custo de vida notavelmente mais baixo, a energia elétrica barata e a facilidade para abertura de empresas ou obtenção de residência.
Historicamente, o fluxo migratório teve início nas décadas de 1960 e 1970, com agricultores em busca de terras mais acessíveis. Cidades como Santa Rita e Naranjal foram transformadas por brasileiros que introduziram o cultivo de soja e milho. Esse processo foi crucial para consolidar o Paraguai como um dos principais exportadores agrícolas da região.

Nas últimas duas décadas, no entanto, o perfil dos migrantes se diversificou. Empresários e industriais passaram a transferir parte de suas operações para o país vizinho, motivados principalmente pela Lei Maquila, que permite a empresas exportadoras pagar apenas 1% sobre a receita bruta. A política industrial paraguaia ainda oferece benefícios como isenção sobre insumos importados, o que favorece diretamente empresas brasileiras que produzem no Paraguai e exportam para o Brasil a custo reduzido.
Além do setor industrial e empresarial, o número de estudantes brasileiros no Paraguai também cresce de forma significativa. Estima-se que quase 30 mil jovens cursam medicina em universidades paraguaias, atraídos pelas mensalidades que são consideravelmente menores do que as praticadas no Brasil. Em Ciudad del Este, por exemplo, o número de brasileiros ultrapassa 98 mil, e a cidade se transformou em um importante centro universitário e empresarial da fronteira.