Foi em uma cerimônia discreta, porém não menos importante, que 37 homens e 18 mulheres de 13 Estados e do Distrito Federal celebraram a formatura no 47º Curso de Delegado de Polícia da Polícia Civil do Rio Grande do Sul, na tarde desta quarta-feira (2/9). O ato de nomeação dos 55 novos profissionais foi entregue durante a cerimônia pelo governador Eduardo Leite. Sendo assim, os delegados já saíram com a nomeação no Diário Oficial do Estado.
O evento realizado no auditório principal do Palácio da Polícia, sede administrativa da instituição, em Porto Alegre, foi cercado de cuidados, como o uso obrigatório de equipamentos de proteção individual (EPIs) e o distanciamento de 2 metros entre uma cadeira e outra, além da ausência de familiares e amigos, que tiveram de assistir à formatura pela internet – medidas que, a despeito da alegria dos formandos, lembram a situação enfrentada em todo o país em função da Covid-19.
A pandemia também será um desafio para os novos delegados. Além do trabalho voltado à elucidação de fatos criminais, assumem a administração de órgãos policiais na Região Metropolitana e no interior do Estado.
"Vocês sobrepujaram 16 mil candidatos. Só vocês sabem a dificuldade que foi chegar a este momento de celebração, vitória e festejo. Vocês estão ingressando em uma atividade totalmente diferenciada de qualquer outra. Ser policial é comprometimento", definiu o vice-governador e secretário da Segurança Pública, Ranolfo Vieira Júnior, que também é delegado de polícia.
A chefe da Polícia Civil e paraninfa da 47ª turma, delegada Nadine Anflor, destacou a importância do papel de liderança do delegado de polícia, que tem a responsabilidade de gerir pessoas que lutam, diariamente, para bem servir e proteger a sociedade gaúcha. "Ser paraninfa de uma turma de delegados me faz pensar sobre o que significa ser delegado de polícia. Estar investido neste cargo significa abnegação, dedicação e muito esforço. Mas, sobretudo, significa liderança, e é isso que esperamos de vocês. Liderar de modo assertivo começa pelo autoconhecimento, pela preservação dos valores humanos, pela capacidade de comunicação e de muita escuta", ponderou.
A formação dos delegados chegou ao fim depois de seis meses de um curso marcado por adversidades em meio a um cenário, até então, novo no país. A preocupação principal era com a saúde dos alunos, professores e funcionários da Academia de Polícia (Acadepol), a qual se viu forçada a inovar. A criação de uma plataforma virtual para oferecimento das aulas na modalidade de ensino à distância (EaD) possibilitou que a formação dos alunos não fosse prejudicada. Mais tarde, a adoção de um protocolo rigoroso com medidas sanitárias para proteção à Covid-19 fechou o ciclo e permitiu que os futuros delegados se reunissem novamente na sede da academia para a conclusão presencial do curso.
A diretora da Academia de Polícia, delegada Elisangela Melo Reghelin, destacou os desafios de realizar o curso de formação durante a pandemia. "Cruzamos a linha de chegada. Foi a primeira vez que o concurso foi feito para candidatos com três anos de experiência jurídica. Também tivemos o maior número de candidatos da história gaúcha – mais de 16 mil. Além disso, fizemos um curso de formação em meio à pandemia. Vivemos a era do imponderável, nem todas as variáveis poderiam ser conhecidas previamente, e a vida humana é de uma imensa fragilidade que, às vezes, esquecemos. Formamos policiais em meio a uma guerra", descreveu.
A nova turma de delegados é composta por homens e mulheres com idades entre 27 e 45 anos, sendo 29 do Rio Grande do Sul. Os demais são do Rio de Janeiro (5), Santa Catarina (5); Paraná (3), Minas Gerais (2), Rio Grande do Norte (2), Distrito Federal (2), Bahia (1), Ceará (1), Espírito Santo (1), Piauí (1), Pernambuco (1), Rondônia (1) e São Paulo (1).
Desde 2014 novos delegados não ingressavam no Estado. Ainda neste ano, a Acadepol formará 129 escrivães e 132 inspetores. Também estão em formação 876 soldados da Brigada Militar, 84 bombeiros militares e 71 servidores (peritos médico-legistas, técnicos em perícias e peritos criminais) do Instituto-Geral de Perícia.