A Polícia Civil prendeu temporariamente uma mulher de 52 anos suspeita de tentar matar o marido, de 72 anos, enquanto ele estava internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) da Santa Casa de Pelotas. A investigação é conduzida pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). O caso veio à tona após a equipe médica do hospital comunicar suspeitas às autoridades. Os nomes dos envolvidos não foram divulgados.

O paciente deu entrada no hospital no dia 5 de dezembro, com diagnóstico de acidente vascular cerebral. Durante a internação, apresentou dois períodos de melhora clínica, seguidos de piora acentuada e episódios de coma. Conforme a apuração policial, essas intercorrências ocorreram após visitas da esposa, nos dias 9 e 16 de dezembro.
Na primeira ocasião, a mulher teria levado um mingau para o marido. Após o consumo, o paciente, que apresentava evolução favorável e possibilidade de alta, voltou a piorar e entrou em coma. Em uma segunda visita, a suspeita ofereceu água ao idoso e, cerca de 40 minutos depois, ele novamente entrou em coma, exigindo intervenção imediata da equipe médica.
Diante da repetição dos episódios, profissionais do hospital levantaram a hipótese de envenenamento. No dia 17 de dezembro, quando a mulher levou bebidas lácteas para o paciente, a médica responsável acionou a Polícia Civil e entregou os produtos para análise. Amostras de urina e sangue do paciente também foram coletadas.
Os exames realizados pelo Instituto-Geral de Perícias (IGP) identificaram alta concentração de medicamentos de uso controlado nos iogurtes apreendidos. As mesmas substâncias foram encontradas no organismo do paciente. Segundo a investigação, nenhum desses medicamentos fazia parte do tratamento hospitalar.
Durante buscas na residência da suspeita, policiais localizaram diversas caixas dos mesmos remédios apontados pela perícia. De acordo com o IGP, foram identificados quatro tipos de medicamentos nos alimentos: um opioide, um sedativo, um anti-hipertensivo e um relaxante muscular. A combinação dessas substâncias tem potencial para causar depressão do sistema nervoso central e respiratória, podendo levar a coma e necessidade de ventilação mecânica.
A mulher foi presa no fim de semana e encaminhada à Penitenciária de Rio Grande. Em depoimento, optou por permanecer em silêncio. O inquérito corre sob sigilo. Celulares da suspeita e de familiares foram apreendidos e passam por análise para apuração de possível motivação.

O paciente permanece internado, em estado estável, sem condições clínicas de prestar depoimento. Segundo a Polícia Civil, o casal estava junto havia cerca de 30 anos e não há registros anteriores de violência doméstica. A investigação segue em andamento.