A Polícia Civil de Santa Catarina indiciou três adultos pelo crime de coação no curso do processo, no contexto da investigação que apura a morte do cão comunitário conhecido como Orelha, em Florianópolis. A informação foi divulgada nesta terça-feira (27), durante entrevista coletiva. Os indiciados são familiares de adolescentes apontados como suspeitos de envolvimento nos maus-tratos que resultaram na morte do animal.
De acordo com a corporação, os adultos teriam tentado intimidar uma testemunha para interferir no andamento da investigação e evitar a responsabilização dos adolescentes. Entre os indiciados estão dois empresários e um advogado, identificados como pais e tio dos menores investigados. Todos já prestaram depoimento à polícia.
Segundo a Delegacia de Proteção Animal da Capital, a apuração reuniu depoimentos de mais de 20 pessoas e incluiu a análise de aproximadamente 72 horas de imagens captadas por 14 câmeras de monitoramento, públicas e privadas. Considerando a ampliação das diligências e a verificação de outros fatos relacionados, o volume total de material analisado ultrapassou mil horas de gravação. Com a conclusão dessa etapa, o inquérito referente à coação foi encaminhado ao Fórum.
A investigação sobre a morte do animal segue em andamento e está sob responsabilidade da Delegacia de Atendimento ao Adolescente em Conflito com a Lei da Capital. O procedimento apura atos infracionais atribuídos a quatro adolescentes. Dois deles foram alvos de mandados de busca e apreensão cumpridos na segunda-feira (26), em Florianópolis. Os outros dois estão nos Estados Unidos, em viagem previamente programada, conforme informado pela Polícia Civil.
As ordens judiciais foram cumpridas em residências dos adolescentes e em endereços vinculados a seus responsáveis legais. Durante as diligências, celulares e outros dispositivos eletrônicos foram apreendidos e encaminhados para perícia. A Justiça negou pedido de quebra de sigilo dos aparelhos pertencentes aos adolescentes e a familiares investigados. Por envolver menores de idade, o inquérito tramita sob sigilo, conforme o Estatuto da Criança e do Adolescente.
Paralelamente, a Polícia Civil apura a suspeita de tentativa de intimidação de testemunha, incluindo a possível utilização de arma de fogo, que não foi localizada durante as buscas. A investigação também analisa a informação de que outro cão da região teria sido alvo de tentativa de agressão no mesmo dia, fato que segue em verificação.
O caso ganhou repercussão após o desaparecimento de Orelha, registrado em 16 de janeiro. Dias depois, o animal foi encontrado ferido em uma área de mata e levado a atendimento veterinário, onde foi submetido à eutanásia em razão da gravidade das lesões. Há indícios de que as agressões tenham sido praticadas com objetos contundentes, segundo a Polícia Civil.
O Ministério Público de Santa Catarina informou que acompanha o caso por meio das promotorias de Justiça da Infância e Juventude e do Meio Ambiente. A investigação também motivou manifestações públicas e mobilização nas redes sociais, além de debates em instâncias institucionais do Estado.
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