A Polícia Civil do Rio Grande do Sul realizou, na manhã desta terça-feira (17), a Operação Medici Umbra, voltada à identificação e responsabilização de um grupo suspeito de cometer fraudes digitais contra profissionais da área médica. A ação foi conduzida pela Delegacia de Repressão aos Crimes Patrimoniais Eletrônicos (DRCPE), vinculada ao Departamento Estadual de Repressão aos Crimes Cibernéticos (Dercc), com apoio da Polícia Civil de São Paulo.

Foram cumpridas cinco ordens de prisão preventiva e três de busca e apreensão na capital paulista, no bairro Cidade Tiradentes. O material apreendido, como documentos, aparelhos celulares e um notebook, será analisado para aprofundar a apuração. O grupo, composto por cinco integrantes de uma mesma família, é investigado por estelionato, falsificação de documentos, invasão de sistemas informáticos e lavagem de capitais.
As investigações tiveram início em janeiro deste ano, após um médico do Rio Grande do Sul relatar invasões em sua conta de e-mail e na plataforma gov.br. A partir do acesso indevido, foram abertas contas bancárias e tentadas transferências de valores superiores a R$ 700 mil. Durante a apuração, identificaram-se outras quatro vítimas com perfil semelhante: médicos com mais de 60 anos que utilizavam o mesmo provedor de e-mail. Os prejuízos relatados, somados, alcançam cerca de R$ 80 mil.

Segundo a Polícia Civil, a liderança do grupo estaria a cargo de uma mulher de 28 anos, com registros policiais anteriores nos estados de Pernambuco e Amazonas. A organização contava ainda com o envolvimento de seu companheiro, dois irmãos e um cunhado. A suspeita é de que os dados utilizados para as fraudes tenham sido obtidos por meio de vazamentos em sistemas de terceiros. As investigações continuam para apurar a origem dessas informações.
O nome da operação faz referência à expressão em latim Medici Umbra, ou “a sombra dos médicos”, em alusão ao uso indevido da identidade das vítimas. Cerca de 30 agentes civis participaram da ação conjunta entre os dois estados.