A Polícia Civil, em conjunto com a Brigada Militar, resgatou, na sexta-feira (16), cerca de 10 mil ovos de tartarugas mantidos em cativeiro nos municípios de Pelotas e Rio Grande, no sul do Rio Grande do Sul. A ação ocorreu durante a Operação Tigre D’Água e resultou na prisão em flagrante de dois homens por crimes ambientais.
A operação foi coordenada pelo Núcleo de Combate ao Abigeato de Rio Grande, com apoio da 3ª Companhia Independente de Polícia Ambiental da Brigada Militar (Patram de Pelotas e Rio Grande). Também participaram do trabalho o Comando de Aviação da Brigada Militar, o Núcleo de Reabilitação da Fauna da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) e o Centro de Recuperação de Animais Marinhos da Universidade Federal do Rio Grande (FURG). Ao todo, foram cumpridos quatro mandados de busca e apreensão em imóveis localizados nos dois municípios.
Durante as buscas, foram localizados cerca de 10 mil ovos de tartarugas enterrados em canteiros artificiais nos pátios das residências investigadas. Parte dos ovos já havia eclodido, e os filhotes permaneciam nos próprios canteiros, sem qualquer tipo de autorização ambiental. Todos os animais recolhidos foram encaminhados para avaliação e cuidados técnicos das equipes da UFPel e da FURG, que farão acompanhamento do estado de saúde e procedimentos necessários para a preservação das espécies.
Além dos ovos, foram apreendidos armas de fogo, munições, apetrechos para recarga, armadilhas, redes de pesca e outros materiais relacionados a atividades ilegais. Todo o material foi recolhido para perícia técnica.
Segundo informações do Núcleo de Combate ao Abigeato, um dos presos já havia sido flagrado em 2024 transportando dezenas de animais silvestres com destino a um receptador no Paraná, o que indica possível reincidência e organização na prática de crimes envolvendo fauna silvestre.
A criação, transporte e comercialização de animais silvestres sem autorização configuram crime ambiental, e a retirada de ovos da natureza compromete o equilíbrio ecológico e aumenta o risco de extinção de espécies vulneráveis. A Polícia Civil informou que as investigações seguem em andamento, com o objetivo de identificar outros possíveis envolvidos e ampliar a fiscalização de práticas irregulares na região.
A operação evidencia a articulação entre órgãos de segurança e instituições acadêmicas para o combate ao tráfico de fauna e a proteção de espécies ameaçadas no Rio Grande do Sul.
Comentários
Para comentar realize o login em sua conta!
Login Cadastre-se