Mais de 2,5 milhões de brasileiros procuraram o Sistema Único de Saúde (SUS) em 2025 para receber acompanhamento relacionado ao abandono do tabagismo. O número representa um crescimento de 95% em comparação com 2022, quando foram registrados cerca de 1,2 milhão de atendimentos na Atenção Primária à Saúde, principal porta de entrada da população para os serviços públicos de saúde.
Os dados divulgados pelo Ministério da Saúde indicam aumento na procura por atendimentos voluntários realizados nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs), onde são oferecidos acompanhamento profissional, atividades educativas e tratamento para dependência de nicotina. O crescimento ocorre em um contexto de ampliação da estrutura da atenção básica e de intensificação das ações voltadas à prevenção e ao combate ao uso de produtos derivados do tabaco.
Além do aumento nos atendimentos individuais, as atividades coletivas destinadas a fumantes também registraram expansão nos últimos três anos. Entre 2022 e 2025, o número de ações realizadas nas UBSs passou de 61,9 mil para 157,1 mil. Nesse mesmo período, a quantidade de participantes dessas iniciativas aumentou de aproximadamente 1 milhão para 2,1 milhões de pessoas.
As atividades incluem grupos de apoio, rodas de conversa, orientações educativas e acompanhamento conduzido por profissionais de saúde. A estratégia busca fornecer informações sobre os riscos associados ao consumo de tabaco e oferecer suporte para quem pretende interromper o hábito.
De acordo com o Ministério da Saúde, a ampliação da rede de atenção básica contribuiu para o aumento da capacidade de atendimento. Em dezembro de 2022, o país contava com 82,5 mil equipes e serviços financiados com recursos federais. Atualmente, esse número chega a 104,3 mil, incluindo equipes de Saúde da Família, Equipes Multiprofissionais (eMulti) e Serviços de Especialidades em Saúde Bucal (Sesb). Ao todo, foram incorporadas 21,8 mil novas equipes e serviços ao sistema.
Paralelamente ao crescimento da procura por tratamento, o governo federal demonstra preocupação com a expansão do uso de dispositivos eletrônicos para fumar, especialmente entre adolescentes e jovens adultos. Segundo o Ministério da Saúde, esses produtos têm sido comercializados com diferentes sabores e formatos, o que amplia seu alcance entre públicos mais jovens.
Dados do levantamento Vigitel 2024 apontam aumento na frequência de adultos que fumam cigarros convencionais ou utilizam dispositivos eletrônicos. O índice passou de 11,3% em 2019 para 13,1% em 2024. Entre pessoas de 18 a 24 anos, o uso atual desses produtos atingiu 10,1%, o maior percentual registrado para essa faixa etária desde o início da série histórica.
O Ministério da Saúde destaca que os dispositivos eletrônicos também podem provocar dependência de nicotina e estão associados a diferentes riscos à saúde, incluindo problemas respiratórios e cardiovasculares.
Atualmente, o SUS oferece tratamento gratuito para quem deseja parar de fumar. O atendimento pode ser realizado individualmente ou em grupo e segue protocolos baseados em abordagens cognitivo-comportamentais. Quando necessário, o acompanhamento pode ser complementado com medicamentos disponibilizados pela rede pública, como adesivos, gomas e pastilhas de nicotina, além da bupropiona.
As ações de combate ao tabagismo também fazem parte da campanha do Dia Mundial sem Tabaco de 2026, promovida pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Neste ano, a mobilização tem como foco os mecanismos utilizados para atrair novos consumidores de produtos derivados do tabaco e da nicotina, especialmente entre crianças, adolescentes e jovens. No Brasil, as atividades são coordenadas pelo Instituto Nacional de Câncer (Inca), em parceria com estados, municípios e órgãos do Governo Federal.
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