O calendário de 2026 reserva três ocorrências de sexta-feira 13, combinação que aparece em 13 de fevereiro, 13 de março e 13 de novembro. A quantidade varia conforme o dia da semana em que o ano se inicia e, em geral, costuma ocorrer uma ou duas vezes, mas em 2026 o número será maior. A data de fevereiro coincide com o período de Carnaval e, em alguns países, antecede o Dia dos Namorados, o que amplia interpretações culturais e simbólicas em torno do dia.
Apesar da fama associada ao azar, pesquisas indicam que a percepção de risco não é uniforme. Um levantamento do instituto YouGov na Alemanha apontou que 39% das mulheres e 21% dos homens se consideram supersticiosos ou bastante supersticiosos. Em alguns casos, isso se reflete em escolhas do cotidiano, como a ausência do número 13 em quartos de hotéis ou em fileiras de aviões.
Dados do setor de seguros, no entanto, não confirmam a ideia de que a sexta-feira 13 seja mais perigosa do que outros dias úteis. Estatísticos da seguradora alemã R+V afirmam que não há aumento relevante de acidentes na data e que, em alguns registros, ocorre até redução. Já a seguradora Verti calculou que as sextas-feiras concentram 16,7% dos sinistros semanais, mas ressalta que eventuais variações quando o dia 13 coincide com sexta não têm peso estatístico significativo.
O temor extremo da data é conhecido como parascavedecatriafobia, mas estudos apontam que a associação entre sexta-feira e o número 13 como sinal de má sorte é relativamente recente. O antropólogo cultural Gunther Hirschfelder, da cidade de Regensburg, afirma que o simbolismo se consolidou principalmente nas últimas décadas, a partir de uma combinação de mitos religiosos, referências históricas e influências culturais vindas dos Estados Unidos.
A origem do número 13 como elemento negativo é frequentemente ligada à tradição cristã, pela presença de treze pessoas na Última Ceia e pela figura de Judas. Já a sexta-feira carrega significados ambíguos na história, associada tanto a antigas referências mitológicas quanto ao relato bíblico da crucificação de Jesus.
Nos últimos anos, a sexta-feira 13 também passou a ser tratada em conteúdos de astrologia e espiritualidade, que atribuem ao dia um caráter simbólico ligado a emoções, intuição e mudanças pessoais. Mesmo assim, especialistas destacam que a popularidade da data está mais conectada ao imaginário coletivo do que a evidências concretas de risco.
Com três ocorrências em 2026, a sexta-feira 13 segue presente no debate entre crenças populares, tradição cultural e números que relativizam sua reputação.
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