A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) informou que a estrutura construída para isolar o material radioativo do reator 4 de Chernobyl, na Ucrânia, deixou de garantir o confinamento adequado após danos provocados por um ataque com drones em fevereiro deste ano. A constatação foi divulgada em relatório técnico da agência, que mantém equipes permanentes no local.

Segundo o diretor-geral da AIEA, Rafael Mariano Grossi, intervenções emergenciais foram realizadas na cobertura, mas não foram suficientes para retomar a eficiência total do sistema de contenção. A agência recomenda uma restauração ampla da estrutura, conhecida como Novo Confinamento Seguro (NSC), instalada entre 2010 e 2019. O projeto, financiado por cerca de 45 países e instituições internacionais, representou um investimento aproximado de 2,1 bilhões de euros.
Grossi destacou que não foram identificados danos nas bases de sustentação do NSC nem nos sistemas de monitoramento radiológico. Ainda assim, reforçou que a manutenção integral é necessária para preservar a segurança operacional da área onde ocorreu, em 1986, o maior acidente nuclear já registrado.
O local voltou a ser alvo de atenção durante o conflito entre Rússia e Ucrânia. Em 2022, tropas russas assumiram o controle da usina de Chernobyl nos primeiros dias da ofensiva militar e permaneceram ali por pouco mais de um mês, período em que trabalhadores ucranianos permaneceram retidos na instalação.
O NSC foi projetado para cobrir o reator destruído e permitir a continuidade das ações de tratamento e desmontagem dos resíduos. A estrutura, considerada a maior instalação móvel terrestre já construída, foi planejada para operar durante cem anos. O desafio atual é impedir que o desgaste causado pelos danos recentes comprometa as etapas seguintes de gerenciamento dos rejeitos nucleares.

A explosão ocorrida em abril de 1986 liberou radiação que atingiu amplas regiões da Ucrânia, Belarus e Rússia. De acordo com dados reunidos por organismos internacionais, mais de 30 pessoas morreram nos primeiros dias após o acidente e diversas populações seguem apresentando impactos relacionados à exposição radioativa, incluindo aumento de registros de câncer e outras doenças nas áreas afetadas.