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Sexta-feira, 12 de Julho de 2024

🚔 Segurança e Polícia

Apenadas da Penitenciária Feminina de Guaíba assistem ao documentário Olha pra elas

Documentário aborda questões relacionadas às mulheres e aos desafios enfrentados no sistema prisional.

Redação TVGO
Por Redação TVGO
Apenadas da Penitenciária Feminina de Guaíba assistem ao documentário Olha pra elas
Ascom Susepe
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Cerca de 50 mulheres privadas de liberdade da Penitenciária Estadual Feminina de Guaíba (PEFG) assistiram, na terça-feira (4/4), ao documentário Olha pra elas, que discute o aprisionamento feminino. A iniciativa é da Secretaria de Sistemas Penal e Socioeducativo (SSPS) e dos realizadores do filme, Tatiana Sager e Renato Dornelles.

 

Produzido pela Panda Filmes e Falange Produções, o documentário, com a abordagem das histórias de Adelaide, Tatiane, Catia, Naiane e Roselaine, trata de questões sobre as especificidades de ser mulher no sistema prisional. Em um universo de 43 mil pessoas que vivem em privação de liberdade no Rio Grande do Sul, em torno de 2,5 mil são mulheres. As particularidades da população feminina no cárcere demandam atenção especial, tanto no aspecto de assistência quanto no de custódia.

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O Brasil ocupa o terceiro lugar no ranking mundial como o país com a maior população carcerária feminina. Muitas dessas mulheres são mães com mais de um filho e a maioria cumpre pena por tráfico de drogas. Algumas delas são acusadas por conta do envolvimento dos próprios parceiros com o crime; outras, por serem usuárias de drogas.

Assim como já ocorreu no Presídio Feminino Madre Pelletier e na unidade de Guaíba, está prevista a exibição do documentário em outros estabelecimentos prisionais gaúchos. Inicialmente, as sessões acontecerão em unidades femininas e, posteriormente, em masculinas.

O secretário de Sistemas Penal e Socioeducativo, Luiz Henrique Viana, destacou alguns desafios enfrentados pelas mulheres no sistema prisional. “Lidar com a distância da família e dos filhos, com a solidão causada pela falta de visitas, com as dificuldades ligadas ao período menstrual, entre outras situações, são apenas algumas das dificuldades que derivam da condição de ser mulher e que são enfrentadas diariamente por essa parcela da população no sistema prisional.”

 

A superintendente adjunta dos Serviços Penitenciários, Deisy Vergara, destacou a importância de debater sobre o encarceramento feminino e seus desdobramentos. “Que documentários como este sirvam para repensarmos a situação das apenadas e refletirmos sobre o que pode ser feito para que as coisas possam ser melhores na vida de quem passa por essa situação”, disse.

A diretora Tatiana, que já dirigiu outros documentários sobre presídios, como o Central - o poder das facções no maior presídio do Brasil, buscou dar voz a essas mulheres. Para ela, o aprisionamento feminino não é tão divulgado quanto o masculino, invisibilizando as mulheres apenadas. A diretora destacou que as experiências dessas mulheres não são divulgadas e que se desconhece a extensão dos danos psicológicos causados aos seus filhos.

“A situação da mulher é estigmatizada, a gente vive em um machismo estrutural de séculos e ainda não conseguiu combater. Sei que a maioria está aqui por questões relacionadas a companheiros, então eu me solidarizo com todas”, disse Tatiana.

“O nosso propósito, com este filme, é mostrar a vida dessas mulheres, que pagam mais do que uma pena, pois ficam longe dos filhos. Não ter notícias deles multiplica a pena delas”, afirma o roteirista do filme, Renato Dornelles.

 

O documentário também foi exibido, no dia 28 de março, em uma sessão inaugural na cinemateca da Casa de Cultura Mario Quintana, em Porto Alegre. Na ocasião, por conta da grande procura do público, foi disponibilizada uma sessão extra na mesma noite.

Prêmios e indicações

  • FAM - Florianópolis Audio Visual Mercosul - Melhor filme (2020)
  • 37º Prêmio de Direitos Humanos de Jornalismo - 3º melhor documentário (2020)
  • FESTin Festival de Cinema Itinerante da Língua Portuguesa - Seleção oficial (2022)
  • Valência Indie Film Festival - European Premiere (2020)
  • III Festival de Cinema Negro em Ação - Seleção oficial (2022)
  • Festival Caminhos do Cinema Português - Filmes da lusofonia XXVII (2021)

Serviço

O quê: exibição do filme Olha pra elas, produzido pela Panda Filmes e Falange Produções
Quando: a partir de 11 de maio
Onde: cinemateca da Casa de Cultura Mario Quintana, em Porto Alegre

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FONTE/CRÉDITOS: Marcelle Schleinstein / Ascom Susepe
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