O Rio Grande do Sul segue distante da meta de vacinação contra a gripe estabelecida pelo Ministério da Saúde para os grupos prioritários. Dados atualizados até esta quarta-feira (17) apontam que apenas 48% do público-alvo recebeu a dose do imunizante, percentual inferior ao objetivo de 90% definido para idosos, crianças e gestantes.
A campanha nacional de vacinação começou em 28 de março, com oferta gratuita nas unidades da rede pública para os grupos prioritários. Desde 31 de maio, a imunização também foi ampliada para toda a população. Apesar disso, a procura não apresentou crescimento significativo, segundo a Secretaria Estadual da Saúde.
Entre os grupos considerados mais suscetíveis às complicações provocadas pela influenza, o menor índice de cobertura é o das crianças. Conforme o painel de monitoramento do Ministério da Saúde, apenas 36% desse público foi vacinado até o momento. O índice preocupa diante do cenário epidemiológico registrado no Estado ao longo do ano.
Em 2026, o Rio Grande do Sul contabiliza 1.478 internações por influenza. Desse total, 24% correspondem a crianças menores de cinco anos, enquanto 47,3% envolvem pessoas com mais de 60 anos. Os dados também apontam que 126 mortes associadas à doença já foram registradas antes mesmo do início oficial do inverno.
A chefe da Divisão de Vigilância Epidemiológica do Centro Estadual de Vigilância em Saúde, Roberta Vanacor, afirmou que o Estado ainda observa crescimento no número de casos e destacou a importância da vacinação diante da circulação do vírus e da queda das temperaturas.
Segundo a Secretaria Estadual da Saúde, uma nova remessa com 420 mil doses foi distribuída aos municípios na terça-feira (16). Até o momento, o Ministério da Saúde encaminhou ao Rio Grande do Sul cerca de 4 milhões de vacinas, o equivalente a 84% do total previsto para o Estado. Desse quantitativo, aproximadamente 2,7 milhões de doses já foram aplicadas.
Embora a influenza possa atingir pessoas de todas as idades, autoridades sanitárias alertam que crianças, gestantes e idosos apresentam maior probabilidade de desenvolver formas graves da doença, o que pode resultar em internações e óbitos.
Na Capital, os indicadores também permanecem abaixo da meta. Porto Alegre registra cobertura vacinal de 56% entre os grupos prioritários. Entre as crianças, o índice é de 39%; nas gestantes, de 54%; e, entre os idosos, aproxima-se de 60%.
Dados da Secretaria Municipal da Saúde mostram ainda pressão sobre a rede hospitalar. Nas emergências adultas de alta complexidade, a ocupação alcança 169% no Hospital Conceição, 250% no Hospital de Clínicas, 196% na Santa Casa e 800% no Hospital São Lucas. Já os leitos pediátricos apresentam taxas de ocupação de 107%, 93% e 75%, conforme o monitoramento municipal.
Com a chegada do inverno, autoridades de saúde reforçam a orientação para que a população procure as unidades de saúde para atualização da vacinação, especialmente entre os grupos com maior risco de agravamento da doença.
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