Giz, carvão, pedra e tijolo. São somente com esses objetos que o auxiliar de serviços gerais Mateus, conhecido como “O Abreu”, de 30 anos, faz sua arte: desenho no asfalto. Normalmente em frente de sua casa, no Ermo, desenha rostos daqueles que considera ídolos. Na última semana fez homenagem ao piloto de Fórmula 1 Ayrton Senna, quando completou 25 anos de sua morte. Já pintou também Bob Marley, os nativistas José Claúdio Machado, Jairo Lambari e Luiz Marenco, além de seu estádio preferido: o Beira-Rio.
Ele desenhava no tempo de colégio, teve um colega que também era artista do lápis de cor nas folhas de ofício. Deixou esse hobby um pouco de lado durante anos, quando lutava contra a depressão e alcoolismo. Foi no final de 2018 que voltou a apostar na sua criatividade através da cores. É comum encontrar ele no final de tarde, com uma cuia de chimarrão, contribuindo com o mundo da arte. No dia que estava pintando Ayrton Senna explicou o motivo: “eu e minha família sentavámos todos os domingos no sofá com sacos de pipoca para ver ele correr. Eu olhei o acidente, lembro até hoje”.
Com a chuva, infelizmente, sua obra some. Sobre a possibilidade de fazer em outras pavimentações, diz que prefere estar no seu portão, por não querer se incomodar com quem não gosta e precisar carregar seus instrumentos de trabalho. Seu sonho é cursar graduação em artes plásticas, pois quer ser um pintor de tela. Em seu pequeno quarto expõem suas pinturas pregadas nas paredes, como dos jogadores Lionel Messi e Cristiano Ronaldo. Essas e todas suas obras são publicadas nas redes sociais Instagram e Facebook.
Publicada em 14/05/2019