Durante realização do 2º Casamento Coletivo de Guaíba, na Câmara de Vereadores nesta quarta-feira (27), uma exposição sobre a violência contra mulher foi retirada. As fotografias, de advogadas maquiadas como se fossem espancadas, estavam na porta principal do plenário, onde 19 casais participavam da cerimonia de matrimonio. A atitude provocou discussão.
A mostra, da fotógrafa Maris Strege e da curadora Eliane Mendá, foi instalada durante seminário sobre o Dia Internacional da Não-Violência contra Mulher, na segunda-feira (25), com palestras e debates sobre a causa. As imagens estariam expostas até esta sexta-feira (28), segundo a organização.
O trabalho foi retirado para o casamento, em pedido do vereador Manoel Eletricista (Cidadania). Segundo ele, não combinaria socialmente com as propostas do evento, que era dar oportunidade para aqueles casais que não tinham condições financeiras de realizar essa solenidade.
- A exposição é muito válida, a causa é de imenso valor, porém tem momentos para isto - alega o parlamentar
Para Maris, atacaram a sua arte, além de mostrares atitudes machistas em um material de extrema importância. "Era uma questão de sensibilidade. É como se o trabalho não tivesse representatividade nenhuma. Estou profundamente triste com a falta de respeito com um trabalho de meses que vem sendo elaborado. Justamente na semana de conscientização", ressalta.
De acordo com o gabinete do presidente da Câmara, no ofício assinado por Claudinha Jardim - que organizou o seminário - estava escrito que somente seria exposto na segunda-feira (25). A assessora Rossana Lessa explica que o pedido de continuar, depois daquele dia, foi de maneira informal com a parlamentar.
- Não era uma exposição, foram fotografias realizadas para o evento e que ficaram à pedido delas - destaca.
Ela esclarece que a retirada do material, certamente, deveria ter sido realizada pela autora, a Maris. Mas a fotógrafa não foi encontrada até o momento do início da cerimônia e, segundo Rosana, quem autorizou foi o assessor de gabinete da vereadora, Guilherme Paixão. Procurado pela reportagem, ele negou.
Para a curadora Eliane Mendá, o objetivo era alertar a sociedade: "Se naquele momento estava acontecendo um casamento, não teria um melhor para que aquelas fotos fossem mostradas. Devemos alertar os casais, do que não devem fazer". De acordo ela, "infelizmente, tanto homens como mulheres, ainda não se deram conta que todos devem fazer esse alerta contra a violência".
Maris ainda relata para reportagem que, um dia após a retirada, o material foi encontrado amassado e rasgado, o que poderá causar danos.