O governo do Rio Grande do Sul iniciou nesta segunda-feira (15) um projeto para mapear riscos climáticos e apontar medidas de enfrentamento a eventos naturais extremos na Região Hidrográfica do Guaíba. A área reúne 252 municípios, entre eles Guaíba, concentra cerca de um terço do território estadual e aproximadamente 60% da população gaúcha, tendo sido a mais atingida pela enchente registrada em maio de 2024.

A iniciativa prevê a análise de nove bacias hidrográficas — Alto Jacuí, Pardo, Vacacaí, Baixo Jacuí, Taquari-Antas, Caí, Sinos, Gravataí e Guaíba — e considera estudos já em andamento sobre níveis dos rios, topografia e ocupação do solo. O objetivo é identificar vulnerabilidades, avaliar ameaças climáticas e meteorológicas e organizar um conjunto de obras e ações consideradas prioritárias para reduzir riscos futuros.
O projeto, denominado RioS, terá duração total de 17 meses e meio e custo estimado em R$ 30 milhões, com recursos do Fundo do Plano Rio Grande (Funrigs). O trabalho é monitorado pela Secretaria da Reconstrução Gaúcha e integra o Plano Rio Grande, que reúne cerca de 180 programas voltados à ampliação da resiliência da infraestrutura estadual.
A apresentação oficial ocorreu no Palácio Piratini, durante reunião entre o governador Eduardo Leite e representantes do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que atua como parceiro técnico na estruturação do projeto. O banco contratou um consórcio formado por Deloitte, EBP, Climatempo e Mattos Filho, responsável pela consultoria e pela elaboração dos estudos técnicos.
Segundo o cronograma divulgado, o projeto será desenvolvido em quatro etapas. A primeira, com prazo de um mês e meio, trata da definição da governança institucional. A segunda fase, prevista para seis meses, envolve a caracterização das ameaças e a avaliação dos riscos hidrológicos, climáticos, ambientais, urbanísticos e socioeconômicos. Na terceira etapa, também com duração de seis meses, será elaborada a estratégia estadual de resiliência climática, com a definição das intervenções prioritárias. A fase final, de quatro meses, prevê a apresentação de anteprojetos de engenharia e arquitetura, além de minutas de editais.
Durante a reunião, o governador destacou que o estudo busca organizar informações técnicas para subsidiar decisões futuras, ressaltando que a implementação das medidas indicadas e as formas de financiamento dependerão das definições do próximo governo estadual. Representantes do BNDES afirmaram que a metodologia aplicada no Rio Grande do Sul segue modelos já utilizados em outros estados, com foco em adaptação climática e redução de riscos.

Também participaram do encontro secretários estaduais e integrantes do consórcio responsável pelos estudos, que acompanharão o desenvolvimento das análises ao longo de todo o período previsto.