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Domingo, 24 de Maio 2026
🚔 Segurança e Justiça

Guaíba está entre as 10 cidades gaúchas com maior queda de homicídios em julho; feminicídios caem 86% no estado

Violência contra mulher teve retração pelo terceiro mês consecutivo, e homicídios e crimes patrimoniais seguem em baixa

Redação TVGO
Por Redação TVGO
Guaíba está entre as 10 cidades gaúchas com maior queda de homicídios em julho; feminicídios caem 86% no estado
Foto: Gustavo Mansur / Palácio Piratini
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O Rio Grande do Sul completou o terceiro mês consecutivo com redução nos feminicídios. Odeclínio conseguiu reverter para queda o cenário de alta do acumulado do ano.

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Enquanto julho de 2019 teve 14 mulheres assassinadas por razões de gênero no Estado, o total de vítimas no mês passado caiu 86%, para duas vítimas – o menor número para o mês em toda a série histórica, iniciada em 2012. Com essa retração profunda, a soma de feminicídios em 2020 chegou a 53, dois a menos (-4%) do que os 55 registrados no mesmo período do ano passado, interrompendo a tendência de alta que se verificou no primeiro semestre.

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Os dados integram os indicadores criminais apresentados na manhã desta quinta-feira (13/8) pelo governador Eduardo Leite e pelo vice-governador e secretário da Segurança Pública, Ranolfo Vieira Júnior, em videoconferência com a as chefias de vinculadas da pasta e jornalistas.

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O governador destacou a importância da redução nos índices de criminalidade dentro dos objetivos de deixar o Estado mais atrativo e acolhedor a investidores. “Estamos em um processo de redução da criminalidade em todas as frentes do nosso Estado. O processo de inflexão da curva de indicadores começou na gestão anterior, mas se acentuou neste governo e se tornou consistente e permanente. Isso nos deixa mais seguros, não somente do ponto de vista pessoal de cada gaúcho e gaúcha, mas também porque faz parte da nossa agenda de competitividade para o RS”, apontou Leite.

O vice Ranolfo ressaltou os resultados obtidos em razão de um trabalho constante. "Segurança Pública é um trabalho de continuidade, sempre aferindo e medindo as evidências científicas. Foi dessa forma que em 2019 chegamos aos menores indicadores da década e, agora em 2020, conseguimos ainda aprofundar essas reduções. Isso se resume nas três premissas do RS Seguro: integração, inteligência e investimento qualificado", afirmou.

Além do feminicídio, todos os demais indicadores de violência contra a mulher fecharam em baixa, tanto no recorte mensal quanto no acumulado. Os estupros, por exemplo, caíram 33,6% na comparação de julho deste ano, 95 casos, contra os 143 registrados no mesmo mês em 2019. Em igual leitura, as lesões corporais reduziram de 1.364 para 1.155 (-15,3%), as ameaças, de 2.739 para 2.295 (-16,2%), e as tentativas de feminicídio ficaram estáveis, com 22 casos.

O paralelo de acumulados nos primeiros sete meses em 2019 e 2020 mostra que já são quase 3 mil ocorrências de ameaça a menos, passando de 21.952 para 19.200 (-12,5%). Nas lesões corporais, a redução supera mil casos, de 12.056 para 10.876 (-9,8%). A soma de tentativas de feminicídio caiu de 205 para 188 (-8,3%), e de estupros, de 929 para 920 (-1%).

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Dados comprovam que, ao contrário das expectativas sobre possível aumento da violência contra a mulher em razão do distanciamento social imposto pela pandemia do novo coronavírus, todos os indicadores apresentaram redução justamente no período em que o isolamento passou a ser necessário. De outro lado, as maiores altas ocorreram em janeiro e fevereiro, exatamente os dois meses em que o Estado ainda não convivia com as restrições para prevenção à disseminação do vírus.

Conforme a diretora da Divisão de Proteção à Mulher (Dipam) da Polícia Civil, delegada Tatiana Bastos, o recorde na queda de feminicídios fica ainda mais relevante quando considerado o contexto da Covid-19. Ao contrário dos demais indicadores de violência contra a mulher, a eventual subnotificação gerada pelo isolamento em razão da pandemia é praticamente inexistente entre os assassinatos consumados por motivo de gênero.

“Para tabulação de feminicídios, analisamos todas as ocorrências que versam sobre morte de sujeito passivo do sexo feminino, e não somente os classificados com esse tipo criminal. Dessa forma, a pandemia não interfere na precisão desse dado específico, que reflete as várias ações integradas que temos adotado”, explica a delegada, enfatizando a parceria com o Observatório da Violência contra a Mulher da Secretaria de Segurança Pública (SSP) nas análises de cada uma das ocorrências com mulheres vítimas.

Tatiana também destaca um aumento expressivo de denúncias de terceiros, como vizinhos e familiares, em todos os canais de comunicação, as quais a Polícia Civil procura atender em no máximo 48 horas. “Quanto mais rápido a informação chegar, mais chances temos de proteger a vítima e seus filhos. Ademais, temos realizado busca ativa de mulheres em suas residências, feito campanhas de prevenção para mobilizar a sociedade, intensificado as ações de repressão, como cumprimento de mandado de prisão e busca e apreensão de armas, além de priorizar a remessa dos procedimentos graves e de descumprimento de medidas protetivas de urgência ao Poder Judiciário”, acrescenta delegada.

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A coordenadora estadual das Patrulhas Maria da Penha (PMPs) da Brigada Militar (BM), major Karine Pires Soares Brum, ressalta o trabalho articulado e integrado de todos os órgãos da rede de proteção à mulher, cada um dentro de suas atribuições, que tem impacto direto na redução dos indicadores. “A Brigada Militar incrementou as PMPs em 113% em relação a 2019, hoje com 98 municípios cobertos, e em 33% o número de visitas às vítimas, o que certamente contribuiu para essa sequência de três meses de queda dos indicadores. O trabalho de monitoramento dos agressores, de orientação e de acolhimento às vítimas permanece sendo o mote da atuação das patrulhas”, afirma.

Em março, as PMPs ampliaram de 46 para 84 o número de municípios atendidos no Rio Grande do Sul. No mês seguinte, o total subiu para 97 e, em julho, a cidade de Minas do Leão foi a 98ª a ganhar a cobertura do efetivo especialmente capacitado para o monitoramento das medidas protetivas de urgência requisitadas pela Polícia Civil e concedidas pelo Judiciário.

Comitê interinstitucional agrega ação em políticas públicas para proteção da mulher

A integração, que já é uma das três premissas do Programa RS Seguro, também foi consolidada como matriz da política pública de proteção às gaúchas com a criação do Comitê Interinstitucional de Enfrentamento à Violência contra a Mulher, lançado na última sexta-feira (7/8), quando se completaram 14 anos da Lei Maria da Penha (Lei 11.340/2006).

O Projeto Agregador identificou os desafios a serem enfrentados e já propôs o desenvolvimento de 11 subprojetos. Destes, cinco foram priorizados para início imediato. O primeiro foi concretizado com a instituição do Comitê Interinstitucional. Os outros quatro estão voltados para:

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1 – Monitoramento do agressor;
2 – Ações nas escolas;
3 – Informar, prevenir e proteger;
4 – Grupos reflexivos de gênero.

Homicídios têm queda de 12% em julho e mantêm acumulado em baixa

Assim como as mortes por motivo de gênero, os demais tipos de assassinatos reduziram em julho, aprofundando a queda no acumulado de 2020. No mês, os homicídios no Estado baixaram 12,2%, de 148 no ano passado para 130, o menor total em julho desde 2008, quando houve 125 vítimas. No paralelo das somas a partir de janeiro, a queda é de 8,1%, com quase uma centena de vidas preservadas. Foram 1.134 homicídios no período em 2019, contra 1.042 neste ano, o menor total para o intervalo desde 2011, quando o número de vítimas foi de 1.031.

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O foco territorial para combate ao crime nos municípios onde ele mais se faz presente, como é feito desde o lançamento do Programa RS Seguro, puxou a redução verificada. No ranking das dez maiores quedas de homicídio no Estado em número absolutos, nove ocorreram em cidades priorizadas pelo RS Seguro:

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Ataques a bancos têm queda recorde de 77% em julho

O trabalho de inteligência e estratégia policial, aliado ao menor movimento urbano em razão da pandemia da Covid-19, conseguiu frear para níveis inéditos um tipo de crime que até alguns anos atrás tinha presença quase diária no cotidiano dos gaúchos. Os ataques a banco apresentaram retração de 77,8% em julho na comparação com o mesmo mês em 2019, passando de nove casos, na soma de furtos e roubos, para apenas dois neste ano – é o menor total absoluto e a maior queda percentual para o período desde que a SSP iniciou a contagem separada desse tipo de delito, em 2012.

O recorde positivo se repete no cenário acumulado, com queda pela metade. Entre janeiro e julho, houve um total de 30 ocorrências no Estado, 55% menos que os 68 ataques a banco em igual período do ano passado, quando o número já havia sido o menor da série histórica, marca novamente batida.

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De acordo com o subcomandante-geral da Brigada Militar (BM), coronel Vanius Santarosa, a repressão qualificada proporcionada pelas análises de inteligência, que permite um monitoramento constante para reagir e até antecipar a ação de criminosos, é o principal fator para o sucesso na quase eliminação de um dos crimes que mais aterrorizava moradores de municípios no interior do Estado. “Conhecidos como novo cangaço, os roubos a bancos em que quadrilhas sitiavam pequenas cidades foram priorizados nas ações de repressão a partir da implantação da Operação Angico, no segundo semestre de 2019. A ofensiva tem resultado em muitas prisões de criminosos que atuam nessa área e reflete nas estatísticas a ponto de, neste ano, termos apenas duas ocorrências envolvendo explosivos”, comenta Santarosa.

A Operação Angico está estruturada em três estratégias: fiscalização ativa para evitar desvios, furtos e roubos de explosivos; mobilizações focadas em prisões de assaltantes; e utilização de efetivo especializado com suporte da inteligência. Um exemplo da eficiência da metodologia aplicada pela operação pode ser visto em ação durante a semana passada, no município de Novo Barreiro, na Região Noroeste do RS. Cinco criminosos assaltaram uma agência bancária da cidade na tarde de 3 de agosto. Logo após o crime, o cerco rapidamente mobilizado na região prendeu dois dos assaltantes. Em menos de 24 horas, com apoio da Polícia Civil, do Batalhão Aéreo e do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) da BM, os outros três foram detidos com armas, munições e dinheiro.

Roubos de veículos caem 27% em julho e somam o menor total da série histórica

Além dos ataques a banco, outros delitos contra o patrimônio continuam em franca descendência no Estado. Um destaque é o roubo de veículos, que em julho caiu ao menor total de ocorrências para o mês desde que a contabilização foi iniciada pela SSP, em 2002. Com a manutenção integral do trabalho das forças de segurança e a menor circulação de pessoas em razão da pandemia, foram registrados 632 roubos de veículos no sétimo mês deste ano, 27% menos do que os 867 de igual período em 2019.

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Com isso, o acumulado desde janeiro também apresentou redução. Enquanto no ano passado a soma do início do ano até o fim de julho foi de 6.912 casos, em 2020 esse total caiu 20,6%, para 5.490 ocorrências, a menor marca desde 2003, quando foram contabilizados 5.029 roubos de veículo.

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Ainda entre os delitos contra o patrimônio, houve retração em julho nos furtos de veículo (-34,6%), nos roubos (-37,3%) e nos furtos (-38,2%) em geral e nos ataques a comércio (-39,8%). Os roubos a transporte coletivo, somadas as ocorrências envolvendo passageiros e trabalhadores de ônibus e lotações, teve cinco casos a mais do que no mesmo mês de 2019, mas o acumulado desde janeiro ainda é 42,9% menor do que o número de registros em igual período do ano passado.

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RS tem dois latrocínios a mais em julho, mas acumula queda de 7,1% no ano

Consequência mais grave dos crimes patrimoniais com uso de violência, os roubos com morte somaram duas ocorrências a mais em julho deste ano na comparação com o anterior. O número de casos em todo o Estado passou de três para cinco (66,7%), ainda a segunda menor marca para o mês desde 2009, com quatro ocorrências.

No acumulado entre janeiro e julho, porém, o total de 39 latrocínios segue 7,1% abaixo dos 42 registrados no mesmo período de 2019. A soma atual é também a menor desde 2009, que teve 33 ocorrências entre o primeiro e o sétimo mês do calendário.

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• Clique aqui e acesse as tabelas completas estão na página de estatísticas do site da SSP.

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FONTE/CRÉDITOS: Ascom SSP / Carlos Ismael Moreira

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