O Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS) apresentou, na quinta-feira (18), denúncia criminal contra o influenciador Dilson Alves da Silva Neto, conhecido como Nego Di, por suposto descumprimento de medidas protetivas concedidas à ex-companheira em processo enquadrado na Lei Maria da Penha. Segundo a Promotoria, as condutas teriam ocorrido a partir de 25 de abril de 2024, após decisão judicial que proibiu qualquer forma de contato com a vítima, inclusive referências ou menções em redes sociais, bem como a divulgação de mensagens, imagens ou vídeos a terceiros.

De acordo com a denúncia, mesmo ciente das restrições impostas pela Justiça, o investigado teria violado as determinações em três ocasiões, ao publicar conteúdos em seus perfis que faziam referência direta à ex-companheira. Para o Ministério Público, as postagens expuseram a existência das medidas judiciais e atribuíram à vítima condutas consideradas ofensivas, permanecendo disponíveis por vários dias. A Promotoria sustenta que os fatos se enquadram no artigo 24-A da Lei Maria da Penha, que trata do descumprimento de medidas protetivas, com agravante relacionado à violência doméstica e familiar contra a mulher.
Na denúncia, o MPRS requer o recebimento da ação penal, a oitiva da vítima e de testemunhas e, em caso de condenação, a fixação de valor mínimo para reparação dos danos. A defesa do influenciador informou não ter conhecimento da denúncia. A advogada que representa a ex-companheira declarou que o processo tramita em segredo de justiça e que não serão prestados esclarecimentos sobre o mérito dos fatos.

Além desse caso, Nego Di responde a outros processos judiciais em andamento desde 2022. Entre eles, ações relacionadas à loja virtual “Tá Di Zueira”, na qual, segundo investigações da Polícia Civil e do Ministério Público, mais de 370 pessoas teriam sido lesadas entre março e julho de 2022, com prejuízo estimado em R$ 5 milhões.
Em junho de 2025, ele e o sócio Anderson Boneti foram condenados em primeira instância a 11 anos e 8 meses de prisão por estelionato, com execução da pena condicionada ao trânsito em julgado. Há ainda processos envolvendo divulgação de informações falsas sobre enchentes no Rio Grande do Sul e suspeitas de fraude em uma rifa virtual de um veículo avaliado em mais de R$ 500 mil.