A Polícia Civil prendeu preventivamente, na manhã desta sexta-feira (22), em Palmeira das Missões, a professora Leonice Batista dos Santos, de 49 anos, filmada agredindo um aluno de 4 anos em uma escola infantil de Caxias do Sul, na Serra Gaúcha. O episódio, registrado por câmeras de segurança na última segunda-feira (18), mostra a docente atingindo a criança com uma pilha de livros. O impacto provocou a perda de um dente e comprometeu outros cinco, exigindo tratamento ortodôntico.

Segundo a delegada Thalita Giacomiti Andriche, responsável pela investigação, foi instaurado inquérito policial por maus-tratos qualificados pela lesão grave, sem descartar a possibilidade de enquadramento no crime de tortura. A prisão preventiva foi determinada após a análise das provas e da repercussão das denúncias. A educadora permaneceu em silêncio durante o interrogatório, acompanhada de seu advogado, que informou que será solicitado habeas corpus em favor da cliente.
Além do caso registrado nesta semana, duas outras famílias compareceram à Delegacia de Pronto Atendimento de Caxias do Sul para registrar boletins de ocorrência contra a mesma professora. As denúncias relatam agressões a outros alunos em situações anteriores. A delegada afirmou que já recebeu, de forma informal, novos relatos, e pediu que responsáveis que tenham conhecimento de possíveis agressões formalizem os registros. As oitivas de testemunhas estão em andamento, e a previsão é de que o inquérito seja concluído em até 30 dias.
A Escola Infantil Xodó da Vovó, onde o caso ocorreu, informou que a profissional foi demitida imediatamente após a direção tomar conhecimento das imagens. A instituição, que atende cerca de 90 crianças, entregou o material gravado à polícia e acompanhou os pais até a delegacia para registrar a ocorrência. Em nota, a direção declarou estar colaborando integralmente com as autoridades e reafirmou compromisso com a segurança dos alunos.

De acordo com os pais do menino, a primeira versão apresentada pela professora foi de que a criança teria caído no banheiro e batido a boca. No entanto, após levarem o filho ao dentista, surgiram dúvidas sobre a compatibilidade dos ferimentos com uma queda. Ao solicitarem as imagens da câmera de segurança, os responsáveis confirmaram a agressão e relataram que o filho apresenta medo e dificuldades para se alimentar, restringindo a dieta a alimentos pastosos e líquidos.
A Polícia Civil segue com a coleta de provas e não descarta a possibilidade de responsabilização criminal da escola, caso seja identificado que houve falha na proteção das crianças ou omissão em situações anteriores.