O Ministério da Saúde inaugurou no último sábado (27) a primeira Unidade de Terapia Intensiva (UTI) Inteligente do Sistema Único de Saúde (SUS). A estrutura começou a operar no Hospital Universitário Clementino Fraga Filho, no Rio de Janeiro, e integra a criação da Rede Nacional de UTIs Inteligentes, iniciativa que prevê a utilização de sistemas digitais, monitoramento contínuo e análise de dados para apoio às equipes médicas.
O projeto conta com investimento superior a R$ 180 milhões e prevê a implantação de tecnologias capazes de identificar alterações clínicas dos pacientes em tempo real. Os sistemas utilizam inteligência artificial para analisar informações dos monitores, indicar riscos e auxiliar na definição de prioridades de atendimento.
Segundo o Ministério da Saúde, os dados coletados dos pacientes passam a ser integrados aos prontuários eletrônicos, permitindo que equipes médicas acompanhem a evolução dos quadros clínicos e adotem intervenções antes do agravamento das condições de saúde. A proposta também busca reduzir o tempo de permanência nas unidades de terapia intensiva e ampliar a disponibilidade de leitos.
Na primeira etapa do programa, sete hospitais foram selecionados em diferentes regiões do país. Ao todo, serão conectados 60 leitos de terapia intensiva, com dez leitos em cada instituição participante. Entre as unidades contempladas está o Hospital Nossa Senhora da Conceição, em Porto Alegre, que representará o Rio Grande do Sul na fase inicial do projeto.
Além da capital gaúcha, participam hospitais localizados no Rio de Janeiro, Amazonas, Distrito Federal, Minas Gerais, Paraná e Pernambuco.
O Ministério da Saúde prevê a expansão da rede após a avaliação dos resultados iniciais. A meta é alcançar 280 leitos inteligentes distribuídos em 14 unidades hospitalares de 13 estados. No Rio Grande do Sul, o Hospital Nossa Senhora da Conceição permanecerá como a instituição integrante da iniciativa.
A estratégia integra a Rede Nacional de Hospitais e Serviços Inteligentes e Medicina de Alta Precisão, que reúne investimentos de R$ 4,8 bilhões em infraestrutura hospitalar, equipamentos e desenvolvimento tecnológico. Entre as ações previstas está a construção do Instituto Tecnológico de Medicina Inteligente, em São Paulo, financiado por meio de contrato de R$ 1,7 bilhão firmado com o Novo Banco de Desenvolvimento, instituição vinculada ao BRICS.
O futuro instituto deverá contar com 800 leitos, incluindo 350 de terapia intensiva e 250 destinados à emergência. A previsão do Ministério da Saúde é que a unidade entre em operação em 2027.
Durante a cerimônia no Rio de Janeiro, também foi inaugurado um acelerador linear destinado ao tratamento oncológico no Hospital Universitário Clementino Fraga Filho. O equipamento recebeu investimento de R$ 3,4 milhões e possui capacidade para atender cerca de 100 pacientes por mês.
Segundo o Ministério da Saúde, desde 2023 foram contratados 155 aceleradores lineares para ampliação da rede de radioterapia do SUS, com previsão de entrega de 70 equipamentos até 2026. A iniciativa faz parte do programa federal voltado à redução do tempo de espera por consultas, exames e procedimentos especializados.
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