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Domingo, 21 de Julho de 2024

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A construção de um caminho: um diálogo entre a nossa voz e nosso pensamento

Aquilo que você faz ou deixa de fazer vai determinar o resultado daquilo que “deveria acontecer”

Tarso Vigil - Filosofia de Bar
Por Tarso Vigil - Filosofia de Bar
A construção de um caminho: um diálogo entre a nossa voz e nosso pensamento
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Em um dia cinza e chuvoso, nos deparamos com certas conversas e em algumas delas fica um tanto quanto difícil saber qual das personagens nós somos. Mas isso também não é uma regra, pois, se fosse assim, não adiantaria escolhermos uma ou outra..

-Pensamento: Então me digas por que as coisas são assim? Por que aconteceram desta maneira?

-Voz: Tudo acontece exatamente do jeito de deveria acontecer.

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-Pensamento: Então devo acreditar que, independente do que eu tivesse feito, as coisas seriam assim.

-Voz: Mas é claro que não!... Não foi isso que eu disse. Ora, se fosse assim, de que adiantariam as pessoas se esforçarem tanto para atingir seus objetivos e suas metas se o caminho já estivesse traçado?

-Pensamento: Como assim, se algo acontece porque deveria acontecer, então é por que já estava determinado, não?

-Voz: Não... O que existe na verdade é a construção de um caminho, aquilo que você faz ou deixa de fazer vai determinar o resultado daquilo que “deveria acontecer”..

-Pensamento: Acredito que você tenha se referido ao fato de alguma coisa que já aconteceu, pois então eu saberia o que é e não algo que deveria acontecer, sendo que eu ainda não sei, pois não aconteceu, a não ser que todos os acontecimentos sejam impostos, independente da nossa condição como indivíduo?

-Voz: Não mesmo, pois assim como muitas outras coisas do mundo real são mutáveis, o abstrato é mais ainda. Veja, por exemplo, você e eu, quem somos nós? Podemos ser uma persona ou várias. De qualquer maneira, somos mutáveis a cada segundo que passa, a cada percepção de nossa própria consciência, já não somos mais os mesmos, não somos mais a mesma voz e nem o mesmo pensamento. Na verdade o que temos que ter em mente é que o que nos é imposto não é o caminho, mas o tempo que temos para trilhar o caminho, e isso é irrevogável. Agora cabe a cada um de nós determinar a forma de percorrer esse caminho.

-Pensamento: Pensando desta maneira, eu seria totalmente responsável pelos acontecimentos da “nossa vida”, mas por que alguns caminhos são tão difíceis, muito mais que outros? Como se houvesse uma espécie de seleção... Para um isto para o outro aquilo... Como se uns fossem melhores que os outros. você entende o que eu quero dizer? Para um lado, o júbilo; para o outro, as sobras. E se isso for real não me parece nem um pouco justo..

-Voz: Existem certas coisas que não nos cabe julgar e outras que tampouco nos cabe a entender, pelo menos nesta “possibilidade”, pois estamos aqui e agora. O que estou dizendo é que, quando chegamos a um determinado lugar, os passos lá atrás podem ter inclinado nossa direção para tal “chegada”. Obviamente que não se trata de certo ou errado, mas, se assim o imaginarmos, podemos então fazer uma indagação que já foi feita há mais de dois mil anos atrás. Onde está o mérito daquilo que é fácil? Qual deve ser a recompensa para aquilo que fizermos sem esforço algum? É provável que no final de “tudo” o prêmio seja o conhecimento daquilo que precisávamos aprender.

Algumas coisas passam despercebidas, outras não. Sussurros em meio às vielas nos fazem perceber coisas que antes não estavam ali, ou simplesmente agitavam-se em uma frequência diferente. O entardecer não mais escurece as vistas, ele clareia o meio, trazendo uma nova forma de composição visual e mental. “Meus pensamentos são minhas meretrizes”. (DIDEROT).

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