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Quarta-feira, 24 de Julho de 2024

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A importância da afetividade no desenvolvimento do tradicionalismo: mais amizades, menos troféus

Os gestos de afeto serão eternizados na alma de quem a recebe

Mário Terres - Tradicionalismo
Por Mário Terres -...
A importância da afetividade no desenvolvimento do tradicionalismo: mais amizades, menos troféus
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Os queridos leitores que acompanham as matérias que costumo escrever, notam que não trago apenas notícias rebuscadas, temas históricos, enfim. Gosto de preparar terreno, embasando os caríssimos leitores, para que em seguida possamos falar de temas atuais, que por vezes ferem os princípios básicos do tradicionalismo.

Já falei da tese do Barbosa Lessa que deveria reger as diretrizes básicas da autoridade máxima do tradicionalismo, o MTG (Movimento Tradicionalista Gaúcho). Digamos que rege, pois está em todos os lugares de direito, quem não seguem os princípios, são os tradicionalistas relapsos. Hoje posso comprovadamente falar de tal assunto com muita propriedade. Nesse final de semana que passou, estiveram por Guaíba, na 51ª Festa Campeira, Artística e Cultural do CTG Gomes Jardim, onde ocorreu a 7ª Etapa do Festival Nacional da Cultura Gaúcha (FNCG) mais de 1.500 participantes do movimento, que fazem tradicionalismo com ênfase nas provas artísticas. Foram vinte e nove (29) invernadas nas categorias Mirim, Juvenil, Adulta e Veterana, foram duzentos e trinta inscrições para concursos individuais entre: declamação, chula, violão solo, gaita e interprete vocal, até aí nenhuma novidade para quem está acostumado a frequentar o meio, ou mesmo quem acompanha de longe. O tema é mais caseiro do que parece. Caseiro?

Sim meus queridos, tivemos uma enxurrada de “estrangeiros” (refiro-me aos não Guaibenses nesse caso) CTGs de diversos lugares do nosso estado e de Santa Catarina inclusive. Vieram participantes de Porto Alegre, Canoas, Carazinho, Espumoso, Turvo, Vacaria, Caxias, Chapecó e Lages. E os “de casa”? Foram menos de dez no geral. Que decepção. Onde está a parceria? A amizade? O apoio a causa da tradição e o fortalecimento dos eventos locais? Perderam-se na poeira da competição ignorante e que cega, obcecando disputas irracionais de ego e beleza, que nada tem a ver com o tradicionalismo de Barbosa Lessa.

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As entidades, ditas coirmãs, se enclausuram em seu ostracismo barbaresco e perdem a oportunidade de congregar. De fazerem novos amigos, conhecerem novas danças e aprender coisas diferentes para crescer. Talvez já pensem ser maiores que o mundo...

Falo com conteúdo e ciência dos fatos ocorridos, quando o assunto é afetividade. Os chasques foram divulgados e aos borbotões, gente de outras localidades se inscrevendo, porém, como a maioria sabe, ser tradicionalista de “carteirinha” dá trabalho e custa caro. As entidades não têm condições de alocar todo mundo em paragens ou lugares pagos, o que acontece então? Solidariedade e afetividade!

Para recepcionar os participantes de outras localidades, busca-se apoio para distribuir esses em alojamentos, geralmente recorremos a escolas ou aos CTGs coirmãos. Uns poucos CTGs se solidarizaram e abriram suas portas, outros no entanto, não deveriam nem ser chamados de “coirmãos”, pois julgam-se constantemente concorrentes de um jogo de poder desenfreado, que não consegue exercer a irmandade, a fraternidade e, por conseguinte a afetividade. Já outros, nem participam do evento, deixando de promover a cidade, o tradicionalismo, simplesmente para não dar brilho ao evento do CTG “concorrente”. Desculpem-me a sinceridade, que pobreza de espírito.

De contrapartida posso e vou dar exemplos de que ainda há salvação.

Para recepcionar os participantes que viajaram horas, para prestigiarem o evento, equipes desempenhavam o papel de padrinhos e além de receber, cuidavam das pessoas, para que se sentissem em casa na nossa boa e velha (não tão velha eu sei) Guaíba. Em outra ocasião, uma prendinha de longe estava aflita, pois acabaram esquecendo seu vestido em sua cidade, e ela não poderia dançar. Aqui não! No CTG Gomes Jardim o que se preza é a afetividade, isso que se ensina desde a base até os mais velhos. O que nos move é a fraternidade e a alegria de poder contribuir para um mundo melhor. Essa prendinha dançou com um vestido que lhe foi emprestado, porque o que importa não é deixa-la de fora para que percam um troféu, mas inclui-la para que saiba que aqui, no Berço da Revolução, nossa causa é ver a alegria no rosto daqueles que prezam pela tradição e fazermos maior o nosso rol de amigos, para que sejamos semeadores da bondade. Afinal os troféus serão carcomidos pelos cupins e estragados pela umidade, empoeirados em uma vil estante.

Os gestos de afeto e bondade serão eternizados na alma de quem a recebe, florescerão e frutificarão em gestos similares, pois a bondade é o caminho da cura dos males do mundo.

 

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Mário Terres - Tradicionalismo

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