A atriz mirim Manuela Moraes, de 10 anos, terminou as gravações de seu primeiro filme nacional, no Rio Janeiro. Junto com Caetano Araújo, de nove, mobilizaram a comunidade do projeto social Projari, no Bom Fim, com a produção de cucas para custear suas hospedagens e transporte durante as gravações do longa-metragem “A Flor da Gigóia”. A dupla foi revelada em uma oficina ministrada pelo cineasta natural de Guaíba, Ivo Schergl Junior, que é o diretor da obra. A previsão de lançamento do filme é para agosto de 2020, no Festival de Cinema de Gramado.
As gravações ocorreram na Ilha da Gigóia, na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio. Durante meses, uma equipe de produção se mudou para o local e ilhas vizinhas, em busca de parcerias e locações para retratar o filme com a beleza e encanto que este ponto turístico das terras cariocas proporciona. De acordo com a produtora, seria necessário muita garra e apoios por se tratar de um projeto sem verba, o que faz com que seja um grande desafio a sua realização.
Manuela sonha em ser uma atriz da TV e de diversas séries. Ela não havia passado em um teste em Santa Catarina, como disse para GaúchaZH, e falou pra sua mãe: "Vou ter que ser bailarina". Cristiane Rosa, 45 anos, respondeu para a filha que não podia desistir e embarcou com ela para as gravações. Largou sua carreira de técnica de enfermagem para focar nos sonhos de vida de Manu, como é conhecida carinhosamente.
Para a atriz, gravar o primeiro filme foi uma experiência maravilhosa e ela quer seguir fazendo mais trabalhos de atuação. O seu maior desafio foi fazer as cenas dramáticas com a verdade e, principalmente, ter raspado o cabelo. "Foi um desafio muito grande pra mim, mas consegui fazer. Isso me deixou muito contente. Foi muito legal, contracenei com atores que ficaram meus amigos, sempre me dando dicas e incentivando a estudar e aprender mais sobre a profissão de atriz", conta. Ela contracenou com Gustavo Novaes, Raymundo de Souza, Antônio Pedro, Charles Paraventi e Rafael Queiroz.
Nesse tempo, Manuela não parou de estudar. Estava matriculada em uma escola no bairro nobre carioca. "Tinha que atravessar de chalana pra ir para o colégio, era bem divertido e diferente. Fiz vários amigos na escola e na Ilha, como o Yan, a Julinha e a Ana Julia. Conheci diversos atores que moram na ilha e também pessoas muito legais", relata.
O diretor Ivo Schergl Jr falou mais sobre a trama de seu longa-metragem: "É um filme que expõe o cotidiano, dúvidas e angústias, concepções sobre o que é o amor e a vida. Momentos em que as fronteiras entre a verdade e a mentira, o documental e a ficção são postas em crise e revezam, por vezes, a ocupação do espaço fílmico em prol da narrativa".