A Polícia Rodoviária Federal (PRF) definiu o trecho da BR-116, entre Porto Alegre e São Leopoldo, como o primeiro ponto do Rio Grande do Sul a receber um sistema de monitoramento com inteligência artificial capaz de identificar infrações cometidas no interior dos veículos. A iniciativa integra um projeto experimental que também será desenvolvido em outros estados do país.
A escolha do segmento da rodovia ocorreu em conjunto com a empresa Kopp Tecnologia, responsável pelo fornecimento do equipamento. Segundo a PRF, o trecho foi selecionado em razão do volume de ocorrências e do intenso fluxo de veículos registrado na ligação entre os municípios da Região Metropolitana.
O equipamento utilizará tecnologia de reconhecimento de imagens para identificar comportamentos considerados irregulares pela legislação de trânsito. Entre as situações que poderão ser detectadas estão o não uso do cinto de segurança, a condução do veículo utilizando apenas uma das mãos em situações não previstas pela legislação e o uso do telefone celular durante a direção.
Também poderão ser identificadas infrações relacionadas à circulação nas rodovias, como ultrapassagens pelo acostamento ou pela direita, desrespeito à faixa da esquerda e a condução de motocicletas sem capacete. De acordo com a PRF, o sistema possui capacidade para reconhecer até 82 tipos de infrações previstas no Código de Trânsito Brasileiro.
A corporação informa que a tecnologia funcionará em caráter experimental durante 180 dias. Durante esse período, as infrações eventualmente detectadas poderão ser encaminhadas para validação por agentes da PRF, responsáveis pela análise das imagens e pela adoção das medidas administrativas cabíveis.
O funcionamento do sistema dependerá da conclusão dos procedimentos administrativos e da assinatura da documentação necessária. Após essa etapa, a empresa terá prazo de até 90 dias para realizar a instalação do equipamento, o que indica que a operação poderá começar no último trimestre do ano.
Segundo a PRF, as imagens captadas pelo sistema serão enviadas em tempo real para uma central de monitoramento, onde os registros serão avaliados por policiais rodoviários federais. A corporação afirma que as imagens não serão armazenadas, sendo utilizadas apenas para a verificação imediata das ocorrências identificadas.
O Rio Grande do Sul poderá receber um segundo ponto de fiscalização com a mesma tecnologia. No entanto, a definição de um novo local dependerá dos resultados obtidos na primeira etapa do projeto. Até o momento, não há confirmação sobre qual rodovia poderá receber o próximo equipamento.
A empresa Kopp Tecnologia havia manifestado interesse na instalação da primeira unidade em uma rodovia próxima à sua sede, localizada em Vera Cruz, no Vale do Rio Pardo, região atendida pela BR-471. A decisão sobre os locais de implantação, entretanto, cabe exclusivamente à Polícia Rodoviária Federal.
Além do Rio Grande do Sul, o projeto-piloto de monitoramento com inteligência artificial também será desenvolvido em rodovias federais de Goiás e Minas Gerais.
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