O Ministério Público do Trabalho (MPT) ajuizou uma ação civil pública contra a montadora chinesa BYD e duas de suas prestadoras de serviços no Brasil — Jinjiang Construction Brazil Ltda. e Tonghe Equipamentos Inteligentes do Brasil Co. — por trabalho análogo à escravidão e tráfico de pessoas.

De acordo com o MPT, os trabalhadores estariam sendo submetidos a condições degradantes, caracterizando graves violações de direitos humanos. A ação exige que as empresas envolvidas paguem R$ 257 milhões em danos morais coletivos, além de indenizações individuais correspondentes a 21 vezes o salário contratual, somadas a um salário por dia em que os funcionários estiveram expostos às condições ilegais.
O órgão também solicita a quitação imediata das verbas rescisórias e pede a aplicação de multa de R$ 50 mil por item descumprido, multiplicada pelo número de trabalhadores afetados. Estima-se que o valor das penalidades possa alcançar até R$ 11 milhões, o que elevaria o total da ação para aproximadamente R$ 268 milhões.

Em resposta às acusações, a BYD enviou comunicado à Autoesporte reafirmando “seu compromisso com os direitos humanos e trabalhistas”, destacando que “suas atividades são pautadas pelo respeito à legislação brasileira e às normas internacionais de proteção ao trabalho”.
A ação ainda será avaliada pela Justiça do Trabalho, mas já representa um dos maiores casos recentes envolvendo uma montadora estrangeira no Brasil em acusações desse tipo.