Entre janeiro e outubro de 2025, Porto Alegre contabilizou 13,8 mil atendimentos por conjuntivite em Unidades Básicas de Saúde, segundo dados da Secretaria Municipal de Saúde. O número representa um aumento de 46% em comparação com o mesmo período de 2024, quando foram 9,5 mil registros. O crescimento começou em maio, com índices mensais entre 60% e 90% acima dos do ano anterior.

O Hospital Banco de Olhos São Pietro também identificou crescimento nas emergências oftalmológicas, que somaram cerca de 1,3 mil casos de conjuntivite apenas em outubro, 20% a mais que nos meses anteriores. Embora a secretaria não detalhe os tipos de conjuntivite, profissionais da área afirmam que a maioria dos diagnósticos é viral. A doença, que também pode ter origem bacteriana ou alérgica, é transmitida principalmente pelo contato com secreções oculares ou superfícies contaminadas.
A Secretaria Municipal de Saúde informou que, até o momento, não há registro de surto de conjuntivite na cidade. O diagnóstico é clínico e realizado por avaliação médica, sem necessidade de exames laboratoriais. Especialistas destacam que a elevação dos casos pode estar associada ao aumento das doenças respiratórias neste ano, além de fatores sazonais e ambientais que favorecem a circulação de vírus como o adenovírus e o enterovírus.
Os sintomas mais comuns são olhos vermelhos, sensação de corpo estranho, secreção aquosa ou purulenta, lacrimejamento, coceira e inflamação em um ou ambos os olhos. Embora os quadros sejam, em geral, autolimitados, os médicos alertam para a importância de evitar a automedicação e procurar atendimento em caso de suspeita.

Entre as medidas preventivas estão a lavagem frequente das mãos, o uso de álcool em gel, a higienização de superfícies e o não compartilhamento de objetos de uso pessoal. Em situações de contágio, recomenda-se o afastamento temporário de atividades coletivas, como escola ou trabalho, conforme orientação médica. Para aliviar os sintomas, é indicada a realização de compressas frias com água mineral ou fervida. O uso de água boricada não é mais recomendado pelos especialistas.