A Petrobras formalizou, nesta terça-feira (20), na cidade de Rio Grande, com a presença do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva e do governador Eduardo Leite, os contratos para a construção de embarcações destinadas à Transpetro, sua subsidiária responsável pelo transporte de petróleo, derivados e biocombustíveis. O conjunto de contratos prevê investimento total de R$ 2,8 bilhões e contempla estaleiros localizados no Rio Grande do Sul, Amazonas e Santa Catarina. No território gaúcho, o estaleiro Rio Grande Ecovix, em Rio Grande, ficará responsável pela construção de cinco navios gaseiros, em um contrato avaliado em R$ 2,2 bilhões.
Os navios gaseiros são projetados para o transporte de gases liquefeitos, como o gás liquefeito de petróleo (GLP), utilizado em larga escala no consumo doméstico e industrial. De acordo com o cronograma divulgado, a primeira embarcação deverá ser entregue em até 33 meses, com as demais previstas para conclusão em intervalos semestrais. Com a incorporação dessas unidades, a frota de gaseiros da Transpetro passará de seis para 14 navios, ampliando a capacidade de transporte e reduzindo a necessidade de afretamento de embarcações desse tipo.
Além das encomendas no Rio Grande do Sul, o pacote de investimentos inclui a construção de 18 barcaças no estaleiro Bertolini Construção Naval da Amazônia, em Manaus, com aporte de R$ 295 milhões, e de 18 empurradores no estaleiro Indústria Naval Catarinense, em Navegantes (SC), ao custo de R$ 325 milhões. As barcaças e os empurradores são destinados ao transporte de grandes volumes de carga e à operação de navegação interior, especialmente em rotas fluviais.
Segundo dados apresentados durante o evento, o conjunto de contratos tem potencial para gerar mais de 9 mil empregos diretos e indiretos nos três estados envolvidos. Apenas no estaleiro de Rio Grande, a expectativa é de até 7 mil postos de trabalho ao longo das etapas de execução dos projetos, com demanda por mão de obra especializada. A previsão é de que novas contratações comecem ainda no primeiro semestre deste ano, acompanhadas por ações de qualificação profissional voltadas ao setor naval.
As encomendas estão inseridas no Programa Mar Aberto, iniciativa do governo federal voltada à retomada da indústria naval brasileira. O programa prevê investimentos de até R$ 32 bilhões até 2030, incluindo a construção de navios de cabotagem, barcaças, empurradores e o afretamento de embarcações de apoio para atividades de exploração e produção. De acordo com estimativas oficiais, o setor naval, que registrava cerca de 18 mil empregos em 2022, encerrou o ano passado com aproximadamente 50 mil trabalhadores e pode se aproximar de 80 mil nos próximos anos, conforme o avanço dos contratos já firmados.
No mesmo evento, foi formalizada a concessão de uma área no Porto de Rio Grande à empresa CMPC, com sede em Guaíba, para a implantação de um terminal portuário dedicado ao escoamento de celulose. O contrato de concessão terá duração de 25 anos e prevê investimento direto de R$ 1,5 bilhão na estrutura portuária. O terminal integra o Projeto Natureza, que inclui a construção de uma nova fábrica de celulose no município de Barra do Ribeiro, com aporte total superior a R$ 27 bilhões.
A área concedida estava sem utilização desde 2014 e será reativada para atender à logística da futura planta industrial. O projeto do terminal prevê dois berços de atracação para navios, dois berços para barcaças e um armazém com capacidade estática de 194 mil toneladas de celulose. Durante a fase de implantação, a estimativa é de geração de mais de 1,2 mil empregos. Na etapa operacional, a projeção é de cerca de 450 empregos diretos e mais de 2,1 mil indiretos, considerando trabalhadores avulsos e atividades de transporte.
Como contrapartida pela concessão, está previsto o repasse de R$ 142,7 milhões à Portos RS, valor que será destinado à dragagem do Canal de Acesso e da Bacia de Evolução do Porto Novo. A intervenção deverá beneficiar não apenas o novo terminal da CMPC, mas também outras operações portuárias, ao permitir o acesso de embarcações de maior porte e ampliar a capacidade logística do complexo.
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