Empresas nos Estados Unidos têm adotado mecanismos para restringir o uso de celulares pessoais durante a jornada de trabalho, com foco na proteção de informações e na organização das atividades. A iniciativa foi detalhada em reportagem do jornal Financial Times, que descreve a utilização de bolsas lacradas para armazenar os aparelhos ao longo do expediente.
Um dos casos citados envolve a empresa de verificação de identidade digital ID.me, que implementou o sistema para aproximadamente 290 funcionários. Os celulares permanecem com os trabalhadores, mas ficam guardados em bolsas que só podem ser abertas em pontos específicos com desbloqueio magnético. O acesso é permitido durante intervalos.
O modelo é fornecido pela empresa Yondr, que também atende instituições como tribunais, órgãos governamentais e organizações que lidam com dados sensíveis. Segundo a companhia, a adoção costuma ocorrer após tentativas de controle baseadas apenas em normas internas.
Entre os argumentos apresentados por empregadores estão a redução de distrações e a prevenção de vazamentos de informações, intencionais ou não. A discussão também aparece em ambientes corporativos de grande porte. O diretor-executivo do JPMorgan Chase, Jamie Dimon, já se manifestou sobre o uso constante de celulares em reuniões, relacionando a prática a perda de tempo e impacto na condução das atividades.
Relatos de trabalhadores indicam percepções distintas. Parte aponta mudanças na rotina, com maior interação presencial e redução do uso frequente dos dispositivos. Por outro lado, houve resistência inicial em algumas equipes, com registros de descumprimento das regras nos primeiros meses de aplicação.
A discussão ocorre em paralelo a iniciativas semelhantes em escolas de diferentes países, que avaliam a limitação do uso de smartphones como forma de reduzir interrupções em atividades educacionais.
Especialistas destacam que os efeitos sobre produtividade não são uniformes. Estudos indicam resultados variados conforme o tipo de tarefa. Atividades operacionais podem apresentar aumento de rendimento com menos interrupções, enquanto funções que exigem criatividade e autonomia podem não ter o mesmo efeito. Também há análises que apontam possíveis benefícios no uso controlado do celular, especialmente para a gestão de demandas pessoais ao longo do dia.
No Brasil, não há previsão específica na Consolidação das Leis do Trabalho sobre o uso de celulares no trabalho. Ainda assim, empregadores podem estabelecer regras com base no poder diretivo, desde que respeitados direitos relacionados à privacidade e à dignidade do trabalhador.
A restrição costuma ser adotada em atividades que envolvem risco físico, operação de máquinas, condução de veículos, proteção de dados ou sigilo profissional. As normas podem constar em contratos ou regulamentos internos.
Segundo entendimento da Justiça do Trabalho, medidas devem observar critérios de proporcionalidade. O descumprimento pode resultar em advertências, suspensões e, em situações específicas, desligamento por justa causa. Especialistas recomendam que as regras sejam claras e incluam exceções, como uso em intervalos ou em situações emergenciais.
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