Durante audiência pública realizada na noite de quinta-feira (17), na Câmara de Vereadores de Guaíba, foi apresentado o Relatório de Gestão Ambiental e Social (ESMPF) referente aos subprojetos do Programa Guaíba+Resiliente. O evento contou com a participação de representantes do poder público, sociedade civil e instituições técnicas, que discutiram propostas e medidas voltadas ao enfrentamento de eventos climáticos extremos.

Um dos pontos abordados foi a possibilidade de dragagem no lago Guaíba. A professora Tatiana Silva, do Instituto de Geociências da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), manifestou preocupação quanto aos possíveis efeitos dessa intervenção. Segundo ela, o aumento da profundidade do leito pode intensificar a energia das ondas ao atingir as margens, elevando o risco de danos estruturais e erosões nas áreas ribeirinhas.
A docente, que integra o Comitê Científico de Adaptação e Resiliência Climática do Rio Grande do Sul, também mencionou uma nota técnica publicada pelo Instituto de Pesquisas Hidráulicas da UFRGS e pelo programa de gestão ambiental do Porto de Porto Alegre. O documento aponta que regiões específicas do lago já apresentaram sinais de erosão, agravada pela força da água durante as cheias registradas em maio de 2024.

O relatório apresentado durante a audiência está vinculado ao Programa Guaíba+Resiliente, criado após os eventos climáticos ocorridos em maio. A proposta do programa abrange ações nas áreas de infraestrutura, monitoramento ambiental, planejamento urbano e educação, com o objetivo de reduzir os impactos das mudanças climáticas, especialmente enchentes e alagamentos.
A audiência também reforçou a importância de que decisões sobre intervenções no sistema hídrico local sejam embasadas em estudos técnicos e científicos. A dragagem do Guaíba, nesse contexto, foi tratada como uma medida que exige análise detalhada, levando em conta os riscos para a população e para o meio ambiente.
O encontro marcou um momento de diálogo entre a administração municipal e a comunidade, com o intuito de garantir a transparência das ações e o fortalecimento do controle social sobre os projetos em andamento no município.