Um ano após a enchente de 2024, Porto Alegre deu um passo importante na identificação das áreas mais vulneráveis a desastres naturais. Conduzido por uma equipe da UFRGS, o Plano Municipal de Redução de Risco (PMRR) identificou 204 setores com risco alto ou muito alto, especialmente nas regiões periféricas da capital. Nessas áreas, vivem ao menos 7.386 pessoas, em 2.941 edificações, de acordo com dados cruzados com o Censo de 2022.
Os riscos apontados incluem enxurradas, inundações com correnteza, deslizamentos de terra e quedas de blocos. O estudo foca em áreas previamente classificadas como críticas, com base na combinação entre risco de morte e vulnerabilidade social.

— Quem mais se expõe aos desastres são os mais pobres, que vivem onde o terreno é mais barato e o risco é maior — afirma o geógrafo Guilherme Garcia de Oliveira, coordenador do plano.
A região do Arroio Moinho, que atravessa bairros como Coronel Aparício Borges e Vila João Pessoa, concentrou o maior número de setores críticos: 44 pontos de alerta. Em casos anteriores, como o de Carine Gonçalves, que morreu arrastada pela água em 2017, o arroio já mostrou seu potencial destrutivo.
Na Rua da Represa, próxima ao arroio, a moradora Jéssica Ramos conta que o medo permanece a cada chuva. Mesmo assim, ela não pensa em sair do local: “A gente tem apego, e acredita que uma obra bem feita pode resolver”.
O PMRR foi contratado pelo Ministério das Cidades e articulado pelo Demhab (Departamento Municipal de Habitação). A primeira fase do estudo detalhou 23 áreas com base em um levantamento anterior do Serviço Geológico do Brasil (SGB). A segunda fase, que deve ser concluída até novembro de 2025, incluirá propostas de obras e ações comunitárias para cada setor.
Entre as soluções estruturantes previstas, estão:
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Construção de bacias de amortecimento para conter enxurradas;
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Ampliação dos sistemas de proteção contra enchente, principalmente na zona sul;
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Obras de contenção de encostas e drenagem para prevenir deslizamentos;
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Planos de evacuação e treinamento comunitário, para que moradores saibam agir em caso de emergência.
Nos setores onde o risco não puder ser mitigado de forma segura e viável, o estudo pode sugerir reassentamento das famílias e requalificação ambiental da área.

Segundo o diretor do Demhab, André Machado, o desafio agora é garantir que o plano não fique engavetado:
— O estudo mostra onde e como agir. Agora, é preciso que governos, em todas as esferas, garantam os recursos. Sem dinheiro, não se faz habitação nem prevenção de desastres — afirma.