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🚔 Segurança e Justiça

Operação Placebo investiga grupo suspeito de fraudar compras de medicamentos para câncer

Polícia aponta atuação de núcleo empresarial, jurídico e médico; 57 mandados foram cumpridos em diferentes cidades.

TVGO - Redação
Por TVGO - Redação
Operação Placebo investiga grupo suspeito de fraudar compras de medicamentos para câncer
Arquivo/Polícia Civil
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A Polícia Civil do Rio Grande do Sul deflagrou nesta segunda-feira (29) a Operação Placebo, que investiga um grupo suspeito de atuar em fraudes envolvendo a aquisição de medicamentos de alto custo destinados ao tratamento de pacientes com câncer. A investigação aponta indícios de manipulação de orçamentos, utilização de empresas vinculadas entre si, entrega parcial de medicamentos e possível comercialização de produtos falsificados adquiridos com recursos públicos.

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Segundo a polícia, foram cumpridos 57 mandados de busca e apreensão e um mandado de prisão. As medidas atingiram 15 pessoas e 14 empresas investigadas. O inquérito é conduzido pela Delegacia de Polícia de São Gabriel.

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As investigações tiveram início após uma farmacêutica da Santa Casa de São Gabriel identificar inconsistências em embalagens do medicamento oncológico Enhertu, utilizado no tratamento de pacientes com câncer de mama. Entre as irregularidades observadas estavam diferenças nas características da embalagem e erros de grafia.

De acordo com a Polícia Civil, parte dos medicamentos era adquirida por meio de decisões judiciais que determinavam o bloqueio de recursos públicos para garantir o tratamento dos pacientes. Em alguns casos, os valores de uma única aquisição poderiam chegar a R$ 800 mil.

O empresário Lisandro Henriques Hermes, de São Gabriel, foi preso durante a operação e é apontado pela investigação como responsável pela articulação do núcleo empresarial do grupo. Conforme a polícia, ele teria participação direta ou indireta em empresas que apresentavam orçamentos nos processos judiciais relacionados à compra dos medicamentos.

A defesa do empresário nega as acusações. Ele afirmou não possuir relação com os advogados e o médico investigados e declarou desconhecer suspeitas de falsificação de medicamentos.

Durante as diligências, os policiais apreenderam caixas de medicamentos, suplementos alimentares e cartelas sem identificação. Segundo a investigação, parte do material estava armazenada em imóveis ligados ao investigado.

A Polícia Civil também apura a atuação de um médico oncologista de Santa Maria, que, segundo o inquérito, teria elaborado laudos utilizados em ações judiciais para obtenção dos medicamentos. A investigação aponta ainda que pacientes teriam sido encaminhados a advogados vinculados ao grupo.

Três advogados também são investigados por suposta participação no esquema. Conforme a polícia, o núcleo jurídico atuaria na condução das ações judiciais e na obtenção de orçamentos apresentados aos processos, enquanto o núcleo empresarial forneceria as propostas comerciais.

Por determinação judicial, o exercício profissional do médico e dos advogados investigados foi suspenso de forma cautelar durante o andamento das investigações.

Até o momento, a Polícia Civil identificou 39 pacientes que teriam sido atendidos pelo esquema investigado. Sete deles morreram durante o período de tratamento, segundo os dados apresentados pelos investigadores. A polícia não atribui os óbitos, neste momento, às irregularidades apuradas.

Após a divulgação da investigação, a prefeitura de São Gabriel informou que o médico investigado será afastado de suas funções no município. Em nota, o Conselho Regional de Medicina do Rio Grande do Sul informou que instaurará sindicância após receber oficialmente as informações do caso.

Ainda em fevereiro deste ano, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) publicou resolução determinando a apreensão e a proibição da comercialização do lote 416466 do medicamento Enhertu. A medida ocorreu após a identificação de unidades com características diferentes do produto original.

Segundo a Anvisa, foram constatadas divergências no material das tampas, dimensões dos frascos e acabamento das embalagens. A fabricante do medicamento informou às autoridades sanitárias a existência de unidades com indícios de falsificação.

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A farmacêutica responsável pelo produto informou que comunicou as autoridades competentes após identificar suspeitas de falsificação e afirmou que os medicamentos produzidos regularmente pela empresa não apresentaram alterações de qualidade.

A Operação Placebo segue em andamento e a Polícia Civil prossegue na análise do material apreendido, dos documentos recolhidos e dos contratos relacionados às aquisições dos medicamentos investigados.

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