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Segunda-feira, 25 de Maio 2026
🌱 Meio Ambiente

Estudo mostra aumento do coronavírus em arroios da Grande Porto Alegre

Coleta de amostras também foram feitas nas águas do arroio Dilúvio, na capital

Redação TVGO
Por Redação TVGO
Estudo mostra aumento do coronavírus em arroios da Grande Porto Alegre
Foto: Manuel Loncan / Fepam / Arquivo
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No terceiro boletim de monitoramento ambiental do Sars-CoV-2 (vírus que transmite a Covid-19) nos esgotos do Rio Grande do Sul, divulgado pelo Centro Estadual de Vigilância Ambiental (Cevs) na última semana, foi constatado um aumento de cópias virais em arroios e em estações de tratamento de esgoto (ETE) em Porto Alegre, Região Metropolitana e Vale do Sinos.

De acordo com a chefe da Divisão de Vigilância Ambiental do Cevs, Aline Campos, a pesquisa apontou uma elevada concentração do vírus nos arroios, chegando a ser, em alguns locais, maior do que a encontrada em algumas estações de tratamento. Ela considera isso grave: quer dizer que existe uma quantidade significativa de esgoto cloacal que chega nestes arroios.

“Precisamos com urgência ampliar o saneamento e a rede de tratamento dos nossos esgotos”, explicou. “Uma grande parte da população vive diretamente em contato com essas águas que, além do Sars-CoV-2, podem conter diversos outros vírus e bactérias”, avalia. Aline ressalta que ainda não há nenhum indício que mostre a contaminação pelo vírus por meio da água. “Porém, existem outros micro-organismos e parasitas que são transmissíveis dessa forma”, completa.

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O novo boletim publicado reafirma o que os pesquisadores vêm analisando: o aumento da detecção do vírus nas águas de esgoto conforme o avanço da pandemia e o aumento no número de casos. Em Porto Alegre, é possível verificar um crescimento gradativo no percentual de amostras positivas, sendo 12,5% entre 10 e 16 de maio; 42,9% na primeira semana de junho; 83,3% no final de junho; 40% entre 5 e 11 de julho; chegando a 100% na segunda metade de julho.

A maior carga viral foi detectada no município de Novo Hamburgo, na ETE Mundo Novo e no arroio Pampa/rio dos Sinos. Nesta etapa, também foram recolhidas amostras de água das ETEs da Corsan nas cidades de Alvorada, Cachoeirinha, Canoas e Gravataí, com resultados positivos em todos os municípios.

O boletim completo pode ser lido aqui.

A pesquisa é inédita no Estado e conta com parceria de diversas instituições, como Companhia Municipal de Saneamento de Novo Hamburgo (Comusa), Companhia Riograndense de Saneamento (Corsan), Departamento Municipal de Água e Esgotos de Porto Alegre (Dmae), Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam), Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz-RJ), Secretaria Municipal de Saúde de Novo Hamburgo, Secretaria Municipal do Meio Ambiente e da Sustentabilidade de Porto Alegre (Smams), Serviço Municipal de Água e Esgoto de São Leopoldo (Semae), Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e Universidade Feevale.

A professora do mestrado em Virologia da Feevale Caroline Rigotto, uma das coordenadoras do projeto, ressalta que o grupo já está trabalhando no projeto de expansão da pesquisa. “Estamos pensando em pontos estratégicos, como comunidades em vulnerabilidade social e com déficit de esgotamento sanitário”, afirma. Elacrescenta que a epidemiologia baseada em esgoto é uma ferramenta que foi bem aceita e, provavelmente, se estenderá a médio e longo prazos, auxiliando no monitoramento e antecedendo surtos isolados.

Análises

As amostras de água coletadas de estações de tratamento, de efluentes hospitalares e de pontos de captação de água bruta passam por análise molecular para definir a ocorrência e quantificação do RNA viral do Sars-CoV-2 (coronavírus). Planeja-se estender o monitoramento por dez meses, permitindo acompanhar a ocorrência e distribuição do vírus ao longo da epidemia e das diferentes sazonalidades.

Aline Campos, da Divisão de Vigilância Ambiental, diz que esse estudo está em andamento também em Minas Gerais, São Paulo e em países como Austrália, Holanda e Itália. Nesses lugares, é possível apontar um aumento da presença do coronavírus nos esgotos conforme aumenta o número de casos confirmados da Covid-19 no local, o que vem se confirmando também no Rio Grande do Sul. A realidade do Estado, porém, é bem diversa desses lugares e deve ser levada em consideração na pesquisa. 


 

FONTE/CRÉDITOS: Ascom SES

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