A doação de órgãos e tecidos pode representar uma nova oportunidade de vida para pacientes que aguardam por um transplante. Para ampliar a conscientização sobre o tema durante o Setembro Verde, o Grupo Hospitalar Conceição (GHC) realizou, nesta segunda-feira (21), em Porto Alegre, o 3º Simpósio sobre Doação de Órgãos e Tecidos para Transplantes.
Promovido pela Equipe Hospitalar de Doação para Transplantes (e-DOT), vinculada ao Hospital Cristo Redentor (HCR), o encontro reuniu especialistas, profissionais da saúde e pacientes transplantados para discutir os desafios do processo de doação, avanços técnicos e a importância do acolhimento às famílias.
Durante o evento, a diretora de Atenção à Saúde do GHC, Rosana Reis Nothen, apresentou um panorama dos transplantes no Brasil e destacou a atuação do Sistema Único de Saúde (SUS), responsável pelo financiamento dos procedimentos, exames preparatórios e medicamentos imunossupressores.
“A doação de órgãos e tecidos representa um ato supremo de solidariedade e a principal esperança de vida para milhares de pacientes que aguardam na fila por um transplante”, afirmou.
Um dos principais pontos abordados foi a importância de conversar com a família sobre o desejo de ser doador. Atualmente, a efetivação da doação após a morte depende da autorização familiar.
O médico Glauco Adrieno Westphal, do Comitê de Doação de Órgãos da Associação de Medicina Intensiva Brasileira (Amib), destacou que a recusa familiar permanece como uma das principais barreiras para a realização dos transplantes. Segundo ele, a forma como os profissionais acolhem os familiares e conduzem a conversa em um momento de luto pode influenciar diretamente o processo de decisão.
GHC tem índice acima da média estadual
Dados apresentados pelo coordenador da Central Estadual de Transplantes do Rio Grande do Sul (CET-RS), Rogério Caruso Bezerra, mostram que, entre janeiro e setembro de 2026, os hospitais administrados pelo GHC lideraram as notificações de mortes encefálicas no Estado, com 47 casos.
No mesmo período, o complexo hospitalar registrou uma taxa de efetivação de doação de órgãos e tecidos de 46,8%, enquanto a média estadual foi de 32,9%.
“Ter uma taxa de efetivação acima da média não é uma coisa fácil. É sinal da sensibilidade das pessoas, do treinamento e da dedicação da equipe ao trabalho da doação de órgãos”, destacou Bezerra.
Transplantada relata mudança de vida
O simpósio também abriu espaço para pacientes compartilharem suas experiências. Adriana Teles contou que descobriu uma doença renal crônica de origem genética durante exames realizados enquanto se preparava para morar no exterior.
Após dez meses de tratamento dialítico e de entrar na lista de espera, Adriana recebeu um transplante renal no Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA). Sete anos depois, atua voluntariamente na conscientização sobre a doação de órgãos e também é atleta transplantada.
“Acredito que não é só falar ‘doe órgãos, salve vidas’, mas precisamos mostrar o que há por trás de todo esse trabalho: os profissionais de saúde que atuam para que o seu transplante aconteça”, afirmou.
Além da autorização familiar, o encontro discutiu questões técnicas relacionadas ao diagnóstico de morte encefálica, potenciais doadores com infecções, doação de córneas após parada circulatória e estratégias para construir uma cultura de doação dentro dos hospitais.
O Setembro Verde é dedicado à conscientização e ao incentivo à doação de órgãos e tecidos. Entre as principais orientações destacadas pelos especialistas está a importância de conversar previamente com os familiares e deixar claro o desejo de ser doador.
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