Um laudo do Instituto-Geral de Perícias (IGP) do Rio Grande do Sul identificou a asfixia decorrente de um golpe conhecido como “mata-leão” como a causa mais provável do coma que antecedeu a morte de Carlos Eduardo Nunes, de 43 anos, após uma abordagem policial em Guaíba. O documento integra o inquérito instaurado pela Polícia Civil para apurar o episódio ocorrido em 24 de junho.

Nunes, caldeireiro industrial, apresentou parada cardiorrespiratória após ser contido por policiais do 31º Batalhão de Polícia Militar, ocasião em que foram aplicados um disparo de taser e o golpe que, segundo os peritos, tem maior probabilidade de ter provocado o quadro neurológico. O laudo, solicitado em 3 de julho e executado no Hospital Moinhos de Vento no dia 8 do mesmo mês, também avaliou a possibilidade de overdose, apontada como menos provável. Naquela data, o homem permanecia internado em estado vegetativo. Ele morreu em 1º de setembro.
A perícia ainda registra que, durante o deslocamento até o Hospital Regional Nelson Cornetet, os policiais não realizaram manobras de ressuscitação. Nunes chegou à instituição às 17h48min, cerca de 14 minutos após a saída da viatura do local da ocorrência, distante aproximadamente 2,5 quilômetros. O laudo afirma que o intervalo sem compressões torácicas contribuiu para a falta prolongada de circulação sanguínea no cérebro, ampliando o risco de danos neurológicos. A reanimação foi realizada somente pela equipe de saúde após a chegada ao hospital.

As investigações internas da Brigada Militar e o inquérito conduzido pela Polícia Civil concluíram, ainda em agosto, que não havia elementos para responsabilizar os quatro policiais envolvidos. Ambos os procedimentos foram encaminhados ao Tribunal de Justiça Militar, que agora aguarda manifestação do Ministério Público. A promotoria tem prazo até 4 de dezembro para definir os próximos passos, que podem incluir novas diligências, pedido de arquivamento ou o envio do caso à Justiça comum por envolver morte durante intervenção policial.
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