A família de um homem de 69 anos registrou ocorrência policial após ele ser hospitalizado com diagnóstico de miíase, infestação causada por larvas de moscas, enquanto estava sob cuidados de uma Instituição de Longa Permanência para Idosos (ILPI) localizada na zona sul de Porto Alegre. O registro foi feito na quinta-feira (19).
Segundo familiares, o idoso, que tem diagnóstico de Alzheimer e não se comunica verbalmente, precisou de internação hospitalar após exames indicarem a presença de larvas na cavidade bucal, com comprometimento dos seios da face e dos pulmões. Ele estava sob cuidados paliativos.
O caso está sob apuração da Delegacia de Proteção ao Idoso do Rio Grande do Sul. De acordo com a delegada responsável, a miíase pode ocorrer quando há dificuldade de fechamento da boca ou outras limitações físicas, exigindo monitoramento constante e cuidados específicos de higiene. A investigação busca apurar se houve falha na assistência e eventual configuração de maus-tratos.
O idoso residia na instituição desde outubro do ano passado. A mãe dele, de 96 anos, também estava no local. Após tomarem conhecimento do quadro clínico, os familiares retiraram ambos da ILPI. Conforme informado pela família, o contrato previa serviços como fisioterapia e fonoaudiologia semanais, além de higiene bucal duas vezes ao dia. O custo mensal era de aproximadamente R$ 7 mil por residente.
O Ministério Público do Rio Grande do Sul informou que mantém procedimento permanente de fiscalização das instituições de longa permanência, incluindo a unidade mencionada, e que não há inquérito civil específico em andamento sobre o local. Na Capital, o órgão acompanha 293 ILPIs, com média de 30 fiscalizações mensais.
O Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul foi questionado sobre a existência de processos judiciais envolvendo a instituição e informou que estava levantando as informações até o momento da publicação.
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