O Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS), por meio da Promotoria de Justiça de Defesa do Consumidor de Porto Alegre, instaurou um inquérito civil para apurar denúncias relacionadas ao fechamento da academia Nexfit, localizada na Avenida Oswaldo Aranha, na Capital. A decisão foi motivada por diversas reclamações registradas por consumidores que alegam prejuízos financeiros após o encerramento das atividades do estabelecimento.

A apuração visa inicialmente identificar os proprietários da empresa, levantar o patrimônio dos envolvidos e verificar a possibilidade de acordo para reparação dos danos alegados pelos clientes. O promotor de Justiça responsável pelo caso, Alcindo Luz Bastos da Silva Filho, informou que as informações reunidas orientarão os próximos passos do procedimento, que tem como foco o ressarcimento dos consumidores.
A Nexfit encerrou suas atividades no início de julho, poucos dias após oferecer promoções de planos semestrais e anuais. De acordo com relatos, não houve aviso prévio sobre o fechamento. A Promotoria também apura a existência de conexões entre este caso e outra investigação iniciada em 2022, envolvendo um estabelecimento semelhante em outro bairro da cidade, possivelmente com o mesmo proprietário.

Até o momento, mais de 100 boletins de ocorrência foram registrados na Polícia Civil, e um grupo com mais de 300 pessoas foi formado por clientes em busca de esclarecimentos. A 17ª Delegacia de Polícia de Porto Alegre conduz paralelamente um inquérito policial, sob a coordenação do delegado Daniel Ordahi, que avalia a possibilidade de configuração de estelionato, caso fique comprovado que houve a formalização de contratos com clientes mesmo diante da intenção prévia de encerrar as atividades da academia.
A empresa, por meio de nota, atribuiu o fechamento à crise financeira e declarou que está disponível para prestar esclarecimentos à Justiça. O sócio-proprietário também se manifestou nas redes sociais, alegando dificuldades econômicas e prometendo iniciar contatos com os clientes.
O MPRS seguirá acompanhando o caso para verificar possíveis práticas lesivas ao direito do consumidor. Caso não haja acordo direto entre os clientes e a empresa, os consumidores podem buscar a Defensoria Pública ou o PROCON para orientações jurídicas e ingresso de ações individuais de ressarcimento.