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Sexta-feira, 05 de Dezembro de 2025

🏥 Saúde

Nova interpretação científica relaciona cabelos grisalhos e mecanismos de defesa contra o câncer

Pesquisa com camundongos indica que danos no DNA podem levar à eliminação de células pigmentares e influenciar riscos relacionados ao melanoma

TVGO - Redação
Por TVGO - Redação
Nova interpretação científica relaciona cabelos grisalhos e mecanismos de defesa contra o câncer
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Uma pesquisa realizada em camundongos analisou como células-tronco de melanócitos — responsáveis pela produção de pigmento nos cabelos e na pele — reagem a diferentes tipos de danos no DNA. O estudo investigou de que forma essas respostas estão relacionadas ao processo de envelhecimento e ao surgimento de cânceres, como o melanoma.

As células-tronco de melanócitos ficam localizadas nos folículos capilares e mantêm o fornecimento contínuo de células produtoras de pigmento ao longo dos ciclos de crescimento dos fios. Esse mecanismo é fundamental para a manutenção da cor do cabelo. Com o tempo, porém, agressões ao DNA provocadas por fatores ambientais ou pelo próprio metabolismo celular podem alterar o funcionamento dessas células.

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Reação a danos no DNA e perda de pigmentação

Os pesquisadores observaram que, diante de determinados danos — especialmente quebras de fita dupla no DNA —, as células-tronco de melanócitos passam por um processo de maturação irreversível. Quando isso ocorre, elas deixam o conjunto de células-tronco e não são mais capazes de se regenerar, o que leva à perda de pigmentação e ao aparecimento de cabelos grisalhos.

Segundo o estudo, essa resposta funciona como um mecanismo de contenção: ao abandonar a população de células-tronco, essas células potencialmente danificadas deixam de representar risco de proliferação desordenada, o que poderia resultar na formação de tumores.

Comportamentos distintos em ambientes estressantes

O trabalho também analisou como as mesmas células se comportam quando expostas a agentes químicos cancerígenos e à radiação ultravioleta. Nesses cenários, foi constatado que a maturação irreversível não ocorre. Em vez disso, sinais emitidos pelos tecidos ao redor estimulam as células danificadas a continuar se dividindo, mesmo carregando alterações genéticas.

Essa dinâmica cria condições que podem favorecer o desenvolvimento do melanoma. Os autores descrevem o fenômeno como “destinos antagônicos”, no qual a mesma célula-tronco pode seguir caminhos diferentes conforme o tipo de dano sofrido e o ambiente ao redor.

Implicações e próximos passos

Os resultados sugerem que a perda de pigmentação associada ao envelhecimento e o surgimento de câncer podem ser manifestações distintas de um mesmo conjunto de mecanismos biológicos que regulam a renovação dos tecidos e a eliminação de células danificadas. No entanto, os pesquisadores alertam que grande parte dos dados foi obtida em modelos animais, e que novos estudos em humanos são necessários para verificar se os mesmos processos ocorrem em nosso organismo.

Mesmo com limitações, a pesquisa abre novas perspectivas para compreender como o corpo define o destino das células-tronco diante de danos genéticos. O avanço nesse campo pode contribuir futuramente para estratégias que reforcem os mecanismos naturais de proteção e reduzam o risco de câncer ao longo do envelhecimento.

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