Uma operação da Polícia Civil realizada na sexta-feira (5) encontrou um equipamento utilizado para distribuição de internet via satélite dentro de uma cela do sistema prisional do Rio Grande do Sul. O dispositivo, identificado como um repetidor da rede Starlink, foi localizado durante ações de repressão a atividades financeiras vinculadas ao tráfico de drogas nos Vales do Sinos e do Paranhana. A corporação não informou qual estabelecimento prisional foi alvo da apreensão.

A ofensiva, denominada Dívida Ativa 2, cumpriu ordens judiciais em Sapucaia do Sul, São Leopoldo, Taquara, Novo Hamburgo, Campo Bom, Portão, São Sebastião do Caí e Montenegro, resultando na prisão de 16 pessoas. A investigação apontou que o grupo investigado utilizava 16 estabelecimentos comerciais para movimentar recursos obtidos de forma ilícita, especialmente por meio de crimes como tráfico, homicídios e extorsões. As empresas atuavam em ramos de venda de joias, roupas femininas e prestação de serviços.
Durante a operação, foram apreendidos três veículos, além de R$ 150 mil em dinheiro — sendo R$ 103 mil localizados em uma única residência. A Polícia Civil também encaminhou pedido de bloqueio de contas bancárias que totalizam aproximadamente R$ 6,2 milhões.
A apuração identificou que parte das ações da organização era coordenada de dentro do sistema prisional. O grupo seria liderado por Diogo Henrique Martins, preso em São Paulo no início de 2024 e atualmente recolhido na Penitenciária Modulada Estadual de Montenegro. Segundo os investigadores, ele mantinha controle das operações mesmo após a detenção.

Entre os detidos está uma advogada apontada como responsável pela defesa de integrantes da organização e, segundo a polícia, também por auxiliar nas atividades do grupo. Seu nome não foi divulgado oficialmente, mas informações obtidas pela reportagem indicam tratar-se de Ritiele Rocha. A defesa dela declarou que a cliente nega envolvimento em práticas ilícitas e pretende demonstrar sua versão durante o processo.