A Polícia Civil do Rio Grande do Sul realizou, na manhã desta sexta-feira (17), a Operação Golpe da Sereia, que investiga um esquema de extorsão sexual praticado por meio de aplicativos de mensagens e redes sociais. As apurações apontam que o golpe foi articulado de dentro da Penitenciária Modulada Estadual de Charqueadas e resultou em um prejuízo de aproximadamente R$ 30 mil a um agente público gaúcho.
A ação foi conduzida pelo Departamento Estadual de Repressão aos Crimes Cibernéticos (Dercc) e cumpriu três mandados de prisão preventiva e ordens de busca e apreensão nas cidades de Charqueadas e Balneário Pinhal. Foram apreendidos dispositivos eletrônicos e determinados bloqueios de valores em contas bancárias.

De acordo com o Dercc, o principal investigado, um apenado de 25 anos com antecedentes por roubo, latrocínio, tráfico e homicídio, coordenava o golpe de dentro do presídio com o auxílio de outro detento e da companheira, de 21 anos, que atuava em liberdade. O grupo utilizava perfis falsos e dados de terceiros para criar contas bancárias e linhas telefônicas, com o objetivo de ocultar a identidade dos envolvidos.
As investigações indicam que o crime teve início quando a vítima foi contatada por uma mulher que se apresentava como moradora da mesma região. Sob o argumento de precisar de ajuda financeira para cursar Direito, ela solicitou transferências que começaram em R$ 2 mil e, com o tempo, somaram cerca de R$ 30 mil.
Após o envio dos valores, o grupo mudou de estratégia. Passou a enviar imagens íntimas à vítima e a fazer ameaças, afirmando que uma das pessoas envolvidas seria menor de idade. O objetivo era forçar novos depósitos, sob a ameaça de denúncia e exposição pública.
Segundo o delegado Eibert Moreira Neto, diretor do Dercc, o foco da operação é ampliar o conjunto de provas e identificar outros possíveis participantes. As equipes também conseguiram rastrear um extenso rastro digital deixado pelos criminosos, revelando o uso de centenas de linhas telefônicas registradas com o mesmo número base, o que indica um padrão de atuação voltado à ocultação da autoria.
A Polícia Civil reforçou o alerta sobre golpes semelhantes, conhecidos como “golpe dos nudes”, e recomenda cautela em contatos iniciados pela internet. A corporação orienta a não enviar valores sem confirmação da identidade, não compartilhar imagens pessoais com desconhecidos e procurar a polícia em casos de ameaça ou tentativa de extorsão.