O aumento no preço do querosene de aviação (QAV), anunciado pela Petrobras no início de abril, deve provocar reajustes nas tarifas aéreas em todo o país. Estimativas de especialistas indicam que as passagens podem registrar elevação entre 10% e 20%, com cenário mais provável próximo de 15%.
A estatal informou um acréscimo superior a 50% no valor médio do combustível vendido às distribuidoras, refletindo a valorização do petróleo no mercado internacional. A alta está associada às oscilações decorrentes do conflito no Oriente Médio, que impactou diretamente a cotação do barril.
O querosene de aviação representa parcela relevante dos custos das companhias aéreas. Segundo estimativas do setor, o combustível passou a corresponder a cerca de 45% das despesas operacionais, ante um patamar anterior superior a 30%. Com isso, o custo por passageiro transportado tende a subir em proporção semelhante.
Especialistas apontam que o repasse aos consumidores pode ocorrer de forma gradual, dependendo de fatores como taxa de ocupação das aeronaves e estratégias comerciais das empresas. Em paralelo, há possibilidade de ajustes na malha aérea, com redução de voos considerados menos rentáveis.
Projeções também indicam impacto na demanda. A relação entre preço e procura sugere que aumentos nas tarifas podem resultar em retração proporcional no número de passageiros, especialmente em viagens de lazer, que costumam apresentar maior sensibilidade ao preço.
A Associação Brasileira das Empresas Aéreas informou que o reajuste pode afetar a oferta de voos e a abertura de novas rotas, com reflexos na conectividade aérea. A entidade também mencionou impactos sobre a sustentabilidade econômica das operações.
Para reduzir os efeitos imediatos, a Petrobras anunciou um mecanismo de parcelamento: parte do reajuste será aplicada em abril, enquanto o restante será diluído em seis parcelas a partir de julho. A medida busca amenizar o impacto financeiro sobre distribuidoras e companhias aéreas.
No âmbito federal, o Ministério de Portos e Aeroportos encaminhou propostas ao Ministério da Fazenda com sugestões para o setor. Entre elas estão a redução temporária de tributos sobre o QAV, ajustes no Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) e mudanças na tributação de contratos de leasing de aeronaves.
Outra alternativa em análise envolve a utilização de recursos do Fundo Nacional da Aviação Civil (Fnac) para apoiar a compra de combustível em caráter temporário.
A área econômica informou que acompanha o cenário internacional e seus possíveis reflexos sobre o país, destacando que eventuais medidas serão avaliadas conforme as condições fiscais e os desdobramentos do mercado global.
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