A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, declarou no domingo (25) que o governo venezuelano não aceita mais orientações políticas provenientes dos Estados Unidos e que as decisões sobre conflitos e divergências internas devem ser definidas exclusivamente por representantes venezuelanos. A declaração foi feita durante um encontro com trabalhadores do setor petrolífero no estado de Anzoátegui, no leste do país.
Rodríguez, que assumiu o cargo após a prisão do ex-presidente Nicolás Maduro em uma operação militar dos Estados Unidos no início de janeiro, afirmou que não haverá interferência de “potências estrangeiras” nas questões de política interna. Ela também mencionou a necessidade de que as disputas políticas sejam resolvidas por meio de diálogo nacional.
Desde a operação que resultou na captura de Maduro em 3 de janeiro, a administração dos Estados Unidos, sob o governo de Donald Trump, passou a afirmar que teria um papel de transição no controle das atividades do país e acesso aos seus recursos, incluindo petróleo. Representantes norte-americanos chegaram a declarar que teriam gestão temporária de parte da produção petrolífera venezuelana e feito exigências para colaboração em questões energéticas e de segurança.
O pronunciamento de Rodríguez ocorre em um contexto de tensões diplomáticas mais amplas entre Caracas e Washington, além de esforços internos para estabelecer negociações políticas com grupos de oposição e organizar a administração venezuelana após as mudanças recentes de poder. Autoridades venezuelanas também estão discutindo reformas na legislação do setor energético para ampliar a participação de capitais privados na produção e exportação de petróleo.
Rodríguez foi empossada como presidente interina nos primeiros dias de janeiro após a saída de Maduro, tendo servido anteriormente como vice-presidente e ocupando funções no governo venezuelano por mais de duas décadas. Sua liderança é respaldada por decisões institucionais internas e pelo reconhecimento das Forças Armadas do país, que estabeleceram um mandato temporário para a transição política.
As declarações feitas no domingo continuam a moldar o debate sobre a soberania nacional venezuelana e o papel de atores externos no processo político em andamento, com ênfase na condução de decisões internas sem orientações diretas de governos estrangeiros.
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