O número de casos de dengue registrados no Rio Grande do Sul apresentou redução de 97,1% em 2026 na comparação com o mesmo período do ano passado. Dados divulgados pela Secretaria Estadual da Saúde (SES) apontam que, até a sexta-feira (8), foram confirmados 994 casos e um óbito pela doença nas primeiras 18 semanas epidemiológicas deste ano. Em igual período de 2025, o Estado contabilizava 35.433 casos e 32 mortes.
Segundo a vigilância epidemiológica estadual, a diminuição está relacionada a diferentes fatores, entre eles as condições climáticas registradas nos últimos meses, a maior imunidade da população aos sorotipos predominantes da doença e a ampliação das estratégias de controle do mosquito Aedes aegypti.
De acordo com a responsável pela Vigilância Epidemiológica das Arboviroses da SES, Valeska Lagranha, os surtos registrados nos últimos anos contribuíram para ampliar a imunidade coletiva aos sorotipos 1 e 2 da dengue, que tiveram circulação intensa no Estado desde 2022. Conforme a especialista, o sorotipo 3, identificado novamente no Rio Grande do Sul em 2025, permaneceu restrito a alguns municípios e, até o momento, não teve circulação detectada em 2026.
As condições meteorológicas também são apontadas como um dos elementos que influenciaram o cenário atual. O inverno de 2025 registrou temperaturas mais baixas em comparação aos anos anteriores, enquanto a primavera teve menor volume de chuvas. Segundo a SES, esse contexto reduziu as condições favoráveis para a reprodução do mosquito transmissor.
Além disso, o governo estadual ampliou ferramentas de monitoramento consideradas estratégicas para identificar áreas de maior infestação. Entre elas estão as ovitrampas, armadilhas utilizadas para detectar a presença de ovos do mosquito e auxiliar no mapeamento de bairros com maior incidência. Atualmente, o sistema está implantado em 342 municípios gaúchos, o equivalente a cerca de 86% das cidades do Estado. Somente em 2026, mais 104 municípios passaram a utilizar a metodologia.
Outra medida adotada foi a expansão da borrifação residual intradomiciliar (BRI), técnica que consiste na aplicação de inseticida em superfícies onde o mosquito costuma pousar. O produto utilizado possui efeito residual que pode permanecer ativo por até quatro meses.
Apesar da redução nos indicadores, a Secretaria Estadual da Saúde informou que o acompanhamento da doença seguirá em alerta ao longo do ano. A principal preocupação está relacionada à possibilidade de atuação do fenômeno climático El Niño no segundo semestre, cenário que pode provocar aumento das temperaturas e maior volume de chuvas, fatores associados à proliferação do Aedes aegypti.
A vacinação contra a dengue também segue em expansão no Estado. A vacina Qdenga começou a ser aplicada de forma restrita em 2024 e teve distribuição ampliada para todos os municípios em 2025. Já a vacina desenvolvida pelo Instituto Butantan passou a ser direcionada, em 2026, a profissionais da atenção primária em saúde. A SES avalia, porém, que ainda não há dados suficientes para medir o impacto direto da imunização na redução dos casos registrados neste ano.
Confira os números de casos confirmados de dengue no Rio Grande do Sul até a 18ª semana epidemiológica de cada ano:
- 2026 — 994 casos
- 2025 — 35.433 casos
- 2024 — 164.148 casos
- 2023 — 22.807 casos
- 2022 — 56.532 casos
- 2021 — 9.327 casos
- 2020 — 3.047 casos
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