Aos 12 anos, Felipe Staczak já acordava de madrugada para trabalhar com uma carroça e um cavalo, seguindo até a Central de Abastecimento do Rio Grande do Sul (Ceasa) para comprar alimentos e revendê-los. Anos depois, formado em Enfermagem e atuando profissionalmente na área, ele cursa o quarto semestre de Medicina na Universidade Luterana do Brasil (Ulbra), campus Gravataí, realizando um objetivo que começou a ser construído ainda na infância.
Felipe cresceu com a mãe e dois irmãos. O pai deixou a família quando ele ainda era criança e, pouco tempo depois, a mãe recebeu o diagnóstico de câncer. O acompanhamento das consultas, tratamentos e cuidados realizados em casa, incluindo curativos, aproximou o jovem da área da saúde e despertou o desejo de se tornar médico.
Por volta dos 12 ou 13 anos, Felipe recebeu de uma igreja evangélica que frequentava uma carroça e um cavalo. Com eles, passou a ir durante a madrugada à Ceasa para comprar produtos e revendê-los, contribuindo com a renda da família.
Parte do dinheiro obtido com o trabalho era reservada para novos investimentos. Cerca de 30% do que ganhava foi utilizado para comprar uma pequena churrasqueira. A aquisição permitiu que Felipe começasse uma nova atividade: a venda de espetinhos em um ponto de ônibus.
Apesar da rotina de trabalho, os estudos permaneceram presentes. Durante determinado período, Felipe conciliava o Ensino Médio, a venda dos espetinhos e o curso técnico de Enfermagem.
“Fazia o Ensino Médio em um turno, vendia em outro turno e no outro fazia o curso técnico. Nunca parei de estudar”, relembra.
Da Enfermagem ao curso de Medicina
O curso técnico representou o primeiro passo profissional de Felipe na área da saúde. Posteriormente, ele ingressou na graduação em Enfermagem da Ulbra como bolsista e concluiu a formação.
Atualmente, além de cursar Medicina durante o dia, Felipe trabalha à noite como enfermeiro no Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) de Canoas. A experiência profissional passou a acompanhar também a nova etapa de formação acadêmica.
“É uma mistura de fé e persistência, duas coisas que carrego comigo muito forte, que é ter fé em Deus de que vai dar tudo certo e a persistência de se manter até o final”, afirma.
No quarto semestre de Medicina da Ulbra Gravataí, Felipe destaca a experiência que encontrou na instituição durante a realização do objetivo profissional.
“Está sendo uma experiência muito boa, o campus é muito acolhedor, o diretor é muito humano, me recebeu muito bem. É um campus muito dedicado ao estudo e a cuidar do aluno”, relata.
A rotina entre trabalho e estudos continua fazendo parte de sua trajetória. Agora, porém, cada semestre concluído representa mais um passo em direção ao sonho de exercer a Medicina.
Felipe também pretende transformar sua história em um livro. A ideia é registrar uma trajetória iniciada com o trabalho em uma carroça, que passou pela venda de espetinhos, pela formação e atuação na Enfermagem e que agora ganha novos capítulos dentro do curso de Medicina.
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