Serviços de dragagem em canais hidroviários seguem em execução em diferentes pontos do Rio Grande do Sul, com destaque para áreas ligadas à bacia hidrográfica do Guaíba. As intervenções abrangem trechos do Lago Guaíba, dos rios Jacuí e Gravataí, além de outras regiões estratégicas para a navegação estadual, como a Lagoa dos Patos, o Canal São Gonçalo e o Porto de Rio Grande.
O objetivo principal das obras é remover sedimentos acumulados no fundo dos canais de navegação, como areia, lodo e resíduos sólidos, mantendo profundidade operacional de 5,18 metros para circulação de embarcações de maior porte. Segundo a Portos RS, o conjunto de contratos prevê atuação em 22 canais hidroviários, com retirada estimada de 20 milhões de metros cúbicos de material.
Na área vinculada à bacia do Guaíba, as intervenções concentram atenção por envolverem rotas utilizadas no transporte regional e por sua relação direta com o sistema hídrico que conecta Porto Alegre, Guaíba e municípios do entorno. Parte das operações ocorre em trechos do Jacuí e do Gravataí, rios que desembocam no lago e compõem a dinâmica hidrológica metropolitana.
Os contratos foram divididos em sete lotes. Três já foram concluídos, três permanecem em andamento e um ainda depende de contratação, referente a segmentos dos rios Gravataí e Sinos. O investimento total informado é de R$ 691 milhões, com recursos do Fundo do Plano Rio Grande (Funrigs), criado após os eventos climáticos extremos registrados em 2024.
Durante a execução dos trabalhos, vídeos divulgados em redes sociais mostraram movimentação de dragas no Guaíba e no Jacuí, gerando questionamentos de usuários de embarcações menores. Especialistas em recursos hídricos afirmam que o procedimento adotado segue padrão técnico utilizado em hidrovias, no qual o material retirado do leito navegável é reposicionado em áreas laterais do mesmo corpo hídrico, conforme critérios previstos em licenciamento ambiental.
Ainda segundo técnicos da área, dragagens voltadas exclusivamente ao desassoreamento para redução de cheias apresentam efeito limitado em grandes corpos d’água, como o Guaíba, devido ao volume necessário de escavação e à contínua reposição natural de sedimentos transportados pelas chuvas em toda a bacia.
No Porto de Rio Grande, onde está a maior frente de trabalho, a previsão é retirar cerca de 16 milhões de metros cúbicos do total estimado para todo o programa estadual. Já nos canais da região metropolitana, o foco permanece na manutenção da navegabilidade e no restabelecimento das condições logísticas após os impactos recentes sobre a infraestrutura hidroviária.
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