O verão 2025/2026 começa oficialmente neste domingo (21), às 12h03, no Hemisfério Sul, e segue até o dia 20 de março de 2026, às 11h45. A estação tem início com a presença do fenômeno La Niña no Pacífico Equatorial Central, caracterizado pelo resfriamento das águas oceânicas, mas a tendência, segundo institutos de meteorologia, é de enfraquecimento do fenômeno e transição para condições de neutralidade climática ao longo do mês de janeiro.

De acordo com análises meteorológicas, o verão no Rio Grande do Sul deverá registrar temperaturas médias acima do padrão histórico, embora sem desvios considerados extremos. Estão previstos períodos de calor mais intenso, que podem configurar ondas de calor, especialmente em regiões como a Fronteira Oeste, o Noroeste, o Centro do Estado e áreas próximas à Região Metropolitana. Em alguns pontos, a elevação das médias pode alcançar cerca de 1°C em relação aos registros climatológicos.
Entre janeiro e março, as temperaturas máximas no Estado costumam variar entre 27°C e 35°C, dependendo da região e do mês, enquanto as mínimas ficam, em geral, entre 16°C e 22°C. Os maiores valores são esperados para áreas do Noroeste e da Fronteira Oeste, com fevereiro e março concentrando maior probabilidade de episódios de calor mais intenso.
Em relação às chuvas, o cenário aponta para distribuição irregular ao longo da estação, característica comum do verão gaúcho. No entanto, a tendência é de que essa irregularidade não seja tão acentuada quanto em outros anos marcados por La Niña mais persistente. O risco de uma estiagem ampla é considerado baixo, embora não seja descartada a ocorrência de déficit hídrico localizado, especialmente no extremo Sul e na Campanha.
Modelos climáticos apresentam divergências quanto aos volumes de precipitação. Algumas simulações indicam acumulados dentro da média histórica, enquanto outras apontam para volumes acima ou abaixo do normal. A média mensal de chuva no Estado varia entre 100 e 220 milímetros. Há previsão de que regiões como a Campanha, o Centro, o Sul e o Noroeste possam registrar acumulados até 50 milímetros superiores à média em determinados períodos.
As pancadas de chuva típicas do verão devem ocorrer de forma localizada e passageira, principalmente entre a tarde e a noite, em dias de calor e alta umidade. Esses episódios podem vir acompanhados de temporais com descargas elétricas, rajadas de vento e queda de granizo, provocando transtornos pontuais, como alagamentos em áreas urbanas.
Em situações de calor mais intenso, com temperaturas que podem se aproximar ou superar os 35°C, aumenta a possibilidade de eventos meteorológicos mais severos, incluindo vendavais, chuva volumosa em curto intervalo de tempo e, de forma mais isolada, fenômenos como tornados ou correntes descendentes de vento (downbursts).
Do ponto de vista regional, áreas do Norte, Leste e Nordeste do Rio Grande do Sul apresentam maior propensão a episódios de chuva intensa, com destaque para o Litoral Norte, que sofre influência de correntes de umidade vindas do oceano e de sistemas atmosféricos atuantes no Sudeste do país e no litoral de Santa Catarina e do Paraná. Já a Metade Norte do Estado e regiões próximas à costa tendem a concentrar volumes de chuva superiores aos registrados no extremo Sul.
O verão também será marcado pela atuação de frentes frias, que, ao avançarem pelo território gaúcho, provocam mudanças rápidas nas condições do tempo, alternando períodos de calor com quedas temporárias de temperatura. Apesar da tendência de médias mais elevadas, não estão descartados intervalos com temperaturas mais amenas associados à passagem desses sistemas.
Outro elemento característico da estação é o vento nordeste, conhecido como “Nordestão”, comum no Litoral do Rio Grande do Sul durante o verão. A atuação do La Niña influencia a circulação atmosférica e favorece a ocorrência desse vento em determinados períodos. No entanto, a expectativa de temperaturas mais altas do mar na costa gaúcha, associadas à Corrente do Brasil, pode reduzir a frequência do fenômeno em comparação a outros verões, resultando em mais dias com mar aquecido.

Especialistas destacam que a combinação de calor, umidade e sistemas atmosféricos variados aumenta a instabilidade durante o verão, elevando a probabilidade de eventos extremos. Ainda assim, a confiabilidade das previsões climáticas para o trimestre é considerada limitada, devido às rápidas mudanças nos padrões globais e regionais, especialmente durante o período de transição entre La Niña e neutralidade climática.
Dessa forma, o verão 2025/2026 no Rio Grande do Sul deve ser marcado por temperaturas acima da média, chuvas distribuídas de forma irregular e possibilidade de episódios de instabilidade intensa, exigindo atenção constante às atualizações das previsões meteorológicas ao longo da estação.