O Sindicato Médico do Rio Grande do Sul (Simers) divulgou nesta terça-feira (30) um relato sobre as condições de trabalho dos médicos que atuam na rede municipal de saúde de Eldorado do Sul após a substituição da empresa responsável pela gestão das unidades de saúde do município. Segundo a entidade, profissionais relataram redução nos valores pagos pelos plantões, manutenção da carga de trabalho e aumento da demanda de atendimentos.
Na última semana, a conselheira do Simers, Cristiane Ribas, acompanhada por integrantes das assessorias jurídica e de relações governamentais do sindicato, realizou visitas a unidades de saúde do município para verificar as condições de trabalho dos profissionais e ouvir as demandas apresentadas pelas equipes médicas.
De acordo com o sindicato, médicos que atuam no Pronto Atendimento informaram que a mudança na empresa gestora resultou em redução dos valores pagos por hora trabalhada para parte dos profissionais. Conforme os relatos, a diminuição na remuneração ocorreu sem alterações na carga horária, no número de atendimentos realizados ou nas atribuições exercidas pelos médicos.
Ainda segundo os profissionais ouvidos pela entidade, a redução do número de médicos nas escalas teria ampliado a sobrecarga de trabalho. O Simers informou que, anteriormente, as equipes contavam com reforços diários de plantonistas, mas esses profissionais deixaram de integrar as escalas ainda durante a vigência do contrato anterior.
A entidade relata que a nova empresa responsável pela gestão dos serviços teria informado a intenção de recompor parte da equipe médica. Entretanto, conforme os relatos apresentados ao sindicato, a previsão de reforço nas escalas estaria limitada a determinados dias da semana.
No período noturno, segundo o Simers, três médicos clínicos seriam responsáveis simultaneamente pelos atendimentos de clínica médica, pediatria, obstetrícia e casos classificados como graves no Pronto Atendimento.
Outro ponto apresentado pelos profissionais durante as visitas diz respeito ao acompanhamento do tempo de espera dos pacientes. De acordo com o sindicato, os médicos relataram monitoramento constante das filas de atendimento e cobranças por maior agilidade nos atendimentos, inclusive em situações que, segundo os relatos, não considerariam os critérios de classificação de risco adotados nos serviços de urgência e emergência.
Em nota, o Simers informou que pretende buscar diálogo com a nova empresa responsável pela gestão das unidades de saúde para discutir a recomposição dos valores pagos pelos plantões. A entidade também afirmou que pretende acompanhar futuros processos licitatórios relacionados à gestão dos serviços de saúde, com o objetivo de evitar novas reduções nos valores pagos aos profissionais.
Até o fechamento desta edição, a Prefeitura de Eldorado do Sul não havia se manifestado sobre os apontamentos divulgados pelo Sindicato Médico do Rio Grande do Sul.
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