Uma estudante do Instituto Nacional de Telecomunicações (Inatel), em Santa Rita do Sapucaí (MG), desenvolveu um copo capaz de indicar a possível adulteração de bebidas com drogas sedativas ou metanol. A tecnologia, chamada de Safe Sip, utiliza uma reação química visual que ocorre em até 15 segundos após o contato da bebida com uma fita instalada no interior do copo.

O sistema funciona por meio de uma fita gelatinosa produzida com antocianinas, pigmentos naturais extraídos de compostos vegetais. Quando a bebida entra em contato com a fita, pode ocorrer mudança de cor conforme a substância presente. A coloração roxa original se altera para amarelo neon na presença de metanol e para rosa quando há indícios de drogas sedativas. O processo não modifica o sabor, o cheiro ou a aparência da bebida.
Segundo a pesquisa, a fita foi testada para detectar substâncias como GHB, cetamina e benzodiazepínicos, frequentemente associadas a crimes conhecidos como “Boa Noite, Cinderela”, que provocam perda de consciência e lapsos de memória. A identificação ocorre a partir da variação do pH da bebida adulterada, método comum em análises toxicológicas. A tecnologia não foi testada em líquidos quentes, mas funciona em bebidas em temperatura ambiente ou geladas, mesmo sob diferentes condições de iluminação.
Durante os testes em laboratório, a fita manteve a capacidade de reação por cerca de 72 horas antes de apresentar sinais iniciais de degradação. A calibração foi ajustada para evitar falsos positivos, não reagindo, por exemplo, a café ou bebidas energéticas. A estudante dedicou dois anos da graduação ao desenvolvimento do projeto, que agora deve avançar para testes em situações reais de uso.
O trabalho foi apresentado na Feira Tecnológica do Inatel (Fetin) de 2024, onde recebeu o primeiro lugar na categoria complexidade técnica e deu origem a um artigo científico em fase final de elaboração. A pesquisa também cita dados que apontam que aproximadamente 25% das mulheres já foram vítimas de adulteração de bebidas em festas e eventos, o que motivou o desenvolvimento de uma solução de fácil uso pelo consumidor.
Em 2024, o projeto foi adaptado para incluir a detecção de metanol, após o registro de 73 casos de intoxicação e 22 mortes no Brasil associadas ao consumo de bebidas contaminadas. A tecnologia passou a ser desenvolvida pela startup Green Byte Solution, criada pela própria pesquisadora. O copo é feito de plástico biodegradável e pode se decompor em até seis meses quando descartado corretamente.

O próximo passo do projeto é o registro de patente. A startup está em fase de pré-incubação e busca investimentos para viabilizar a produção em escala. Segundo professores envolvidos no processo, o copo pode ser utilizado tanto em grandes eventos quanto comercializado em supermercados para uso doméstico. A expectativa é que a tecnologia chegue ao mercado após a conclusão das etapas de testes e proteção intelectual.