A Polícia Civil do Rio Grande do Sul investiga um suposto esquema de desvio de recursos públicos que teria ocorrido no gabinete de um ex-vereador de São Leopoldo, na Região Metropolitana de Porto Alegre. Segundo apurado, entre os anos de 2021 e 2022, cerca de R$ 90 mil teriam sido desviados por meio da prática conhecida como “rachadinha”, na qual servidores são obrigados a repassar parte de seus salários ao agente político responsável pela nomeação.

As diligências tiveram início após denúncia formalizada por um ex-assessor parlamentar em maio de 2023. O inquérito revelou a existência de servidores que estariam nomeados sem exercer atividades funcionais, além de repasses periódicos feitos a pedido do ex-parlamentar. A Polícia Civil informou ainda que interceptações telefônicas e análise de movimentações bancárias foram utilizadas para sustentar as evidências reunidas.
O investigado, que exerceu mandato até 2024 e disputou as eleições municipais mais recentes, teve contas bancárias bloqueadas por determinação judicial. A Justiça também impôs medidas cautelares, incluindo a proibição de assumir função remunerada em órgãos públicos e a obrigação de se apresentar regularmente ao Judiciário.

Durante a operação realizada nesta segunda-feira, foram cumpridos mandados de busca em endereços ligados ao ex-vereador, com apreensão de aparelhos eletrônicos. Também estão sob investigação movimentações financeiras associadas à companheira do ex-parlamentar, inclusive com uso de criptoativos, sob suspeita de possível lavagem de dinheiro.
Embora o nome do ex-vereador não tenha sido divulgado oficialmente, a imprensa identificou o investigado como Hitler Kleber Pederssetti, de 37 anos. Até o momento, ele não se manifestou publicamente sobre o caso.