O governo do Estado inaugurou, na sexta-feira (13), uma unidade de produção do setor calçadista dentro do Presídio Estadual de Sarandi, no norte do Rio Grande do Sul. A estrutura foi implantada por meio de parceria entre a Secretaria de Sistemas Penal e Socioeducativo (SSPS), a Polícia Penal, a empresa Beira Rio e o ateliê de costura Maeve. O espaço foi projetado para empregar até 50 pessoas privadas de liberdade do regime fechado. No início das atividades, oito apenados já estavam atuando na linha de produção.
A iniciativa integra o projeto Mãos que Reconstroem, criado para ampliar a oferta de trabalho no sistema prisional do Estado. De acordo com a SSPS, o programa busca incentivar atividades produtivas dentro das unidades prisionais e ampliar a participação de apenados em programas de qualificação e trabalho. Dados apresentados pelo governo indicam a criação de 2.170 vagas de trabalho vinculadas a essa política.
A produção instalada em Sarandi integra a cadeia da indústria calçadista. Segundo a empresa parceira, a utilização de mão de obra prisional começou há três anos e já resultou na implantação de nove linhas de produção em unidades prisionais. A previsão da empresa é alcançar cerca de 600 apenados trabalhando nas linhas vinculadas à indústria.
Os participantes recebem remuneração de até 75% do salário mínimo, conforme legislação que regulamenta o trabalho prisional, além do benefício de remição de pena pelo período trabalhado. A produção será destinada ao abastecimento da indústria do setor.
O espaço destinado à fábrica foi adaptado em um anexo da unidade prisional. A reforma levou cerca de 90 dias para ser concluída e recebeu investimento aproximado de R$ 100 mil. Os recursos foram provenientes das comarcas de Sarandi e Constantina, da prefeitura de Sarandi, de verbas da Delegacia Regional da Polícia Penal e de materiais fornecidos pela empresa parceira.
A área reformada possui cerca de 100 metros quadrados e recebeu equipamentos utilizados na produção de calçados, como máquinas de costura, equipamentos de corte e viragem e esteira de produção. Também foram realizadas adequações estruturais para conectar o espaço ao restante da unidade prisional e permitir a circulação dos custodiados durante a jornada de trabalho.
De acordo com a administração do sistema prisional, a iniciativa faz parte de políticas voltadas à oferta de trabalho e qualificação profissional durante o cumprimento de pena, com foco na reinserção social após o período de detenção.
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