O Rio Grande do Sul não alcançou a meta de alfabetização na idade adequada em 2025, conforme dados do Ministério da Educação (MEC), elaborados pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). O estado registrou 52% das crianças alfabetizadas ao final do 2º ano do Ensino Fundamental, percentual inferior à meta estabelecida para o período, fixada em 69%.
O levantamento integra o Indicador Criança Alfabetizada (ICA), calculado a partir de avaliações aplicadas anualmente aos estudantes dessa etapa escolar. Entre as unidades federativas, o Rio Grande do Sul apresentou a maior diferença em relação à meta. Também ficaram abaixo do objetivo estados como Santa Catarina, Amazonas, Pará, Rio de Janeiro e Rio Grande do Norte.
Em âmbito nacional, o índice alcançou 66% em 2025, superando a meta prevista de 64%. Ao todo, 19 estados e o Distrito Federal atingiram ou ultrapassaram os resultados esperados. Roraima participou da avaliação pela primeira vez e não possuía metas definidas.
O Compromisso Nacional Criança Alfabetizada estabelece metas progressivas até 2030, quando a expectativa é de que 80% dos estudantes estejam alfabetizados na idade adequada. No caso do Rio Grande do Sul, a projeção intermediária indica 74% até 2027.
Os resultados mais recentes ocorrem após variações nos indicadores do estado. Em 2023, o percentual de alunos alfabetizados era de 63%. Em 2024, houve redução para cerca de 45%, seguida de recuperação parcial em 2025, com o índice atual de 52%.
Especialistas apontam que fatores externos influenciaram o desempenho dos estudantes nos últimos anos, especialmente no período inicial da alfabetização. Entre eles, estão interrupções no calendário escolar, deslocamento de famílias e mudanças na frequência dos alunos.
De acordo com a Secretaria da Educação do Estado (Seduc), também houve impactos anteriores relacionados ao período entre 2019 e 2021, quando o índice de alfabetização do 2º ano passou de 61,8% para 48,5%, com posterior recuperação em 2023. Em 2024, os dados voltaram a apresentar queda.
Estudos realizados em parceria com o Banco Mundial indicam que, nas áreas mais atingidas por eventos recentes, houve perda equivalente a até 0,9 ano letivo. Esses estudantes representam cerca de 37% da rede estadual.
O Inep considera alfabetizados os alunos capazes de ler textos curtos, compreender informações básicas, interpretar elementos visuais e produzir textos simples, mesmo com erros ortográficos.
Para enfrentar o cenário, o governo estadual mantém o programa Alfabetiza Tchê, desenvolvido em colaboração com os municípios desde 2023. A iniciativa inclui formação de professores, avaliações periódicas e distribuição de materiais pedagógicos. O investimento já realizado soma R$ 32 milhões, com previsão adicional de R$ 41 milhões em 2026.
Além disso, o estado utiliza instrumentos próprios de avaliação para monitorar o desempenho dos estudantes e orientar ações pedagógicas, com foco na recomposição das aprendizagens e no acompanhamento dos resultados ao longo dos próximos anos.
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